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Sequestro silencioso: como apps de Smart TVs estão usando sua internet e seu IP sem você saber

04/08/2026
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Apps de smart TVs podem compartilhar seu endereço de internet com desconhecidos sem você saber

A empresa norueguesa de cibersegurança Mnemonic identificou aplicativos para smart TVs da Samsung que conectavam secretamente os aparelhos a uma rede conhecida como proxy residencial. Essa prática permite que terceiros utilizem a conexão de internet da residência do usuário como intermediária para suas próprias atividades, mascarando assim o endereço de IP verdadeiro de quem está por trás dessas ações. O endereço de IP funciona como um identificador único da conexão de cada dispositivo na rede, e seu uso indevido pode vincular o proprietário da TV a atividades que ele nunca realizou.

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A Samsung confirmou ao site TechCrunch que está trabalhando para identificar e remover todos os aplicativos que contenham componentes de proxy residencial em sua loja virtual. Além disso, a fabricante informou que já implementou restrições para impedir o registro de novos aplicativos com essa funcionalidade e também baniu o uso de kits de desenvolvimento de proxy residencial em toda a sua plataforma. A medida busca conter a disseminação de uma prática que pode transformar a smart TV de um usuário em uma ponte para atividades ilegais conduzidas por terceiros.

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Segundo a análise da Mnemonic, vários aplicativos para as televisões inteligentes da Samsung continham códigos que utilizavam a internet do usuário sem qualquer permissão ou conhecimento. Um dos apps identificados era um jogo baseado no clássico Pac-Man, que inclusive chegou a figurar nas recomendações editoriais da própria loja de aplicativos da fabricante. Esse jogo trazia em sua programação códigos da empresa Bright Data, uma companhia especializada na criação e administração de redes de proxy. A Bright Data afirma ter acesso a milhões de conexões residenciais ao redor do mundo.

A técnica de proxy residencial consiste em permitir que pessoas externas utilizem a conexão de internet de uma casa comum como se fossem os próprios moradores. Com isso, o endereço de IP exibido nas atividades realizadas é o da residência, e não o de quem realmente está conduzindo a ação. Essa estratégia pode ser empregada para diversos propósitos, incluindo a coleta automatizada de dados em sites, pesquisas que dependem de localização geográfica, testes de senhas roubadas em diferentes serviços e até mesmo o anonimato em ataques cibernéticos.

Para o usuário afetado, as consequências podem variar desde transtornos relativamente simples até problemas significativos. Entre os incômodos mais comuns estão o aumento no consumo da banda de internet e a aparição mais frequente de verificadores de segurança, conhecidos como captchas, que são aqueles desafios visuais usados por sites para confirmar se quem acessa é uma pessoa real. Em casos mais graves, no entanto, o endereço de IP do proprietário da TV pode acabar sendo associado a atividades ilícitas, colocando o usuário em uma situação de risco que ele não provocou.

O problema não se restringe às televisões da Samsung. No mês de julho de 2025, uma análise revelou que 42% dos aplicativos disponíveis na loja de TVs da LG possuíam a capacidade de conectar os aparelhos a redes de proxy. A LG também se pronunciou afirmando que baniria todos os aplicativos que trouxessem esse tipo de funcionalidade. Somando-se a isso, aparelhos de TV boxes ilegais também podem estar infectados com softwares maliciosos do mesmo tipo, ampliando o alcance desse problema para além das plataformas oficiais.

Resolver essa questão, contudo, representa um desafio técnico considerável. Harrison Sand, consultor da Mnemonic, explica que muitos dos aplicativos afetados possuem poucas linhas de programação e funcionam carregando seu conteúdo de outro site externo. As avaliações de segurança feitas pelas lojas de aplicativos costumam analisar apenas o código original do programa, sem verificar os downloads adicionais que ele realiza. Ainda mais preocupante é o fato de que o conteúdo externo carregado pode ser alterado entre o momento da avaliação de segurança e o instante em que o usuário efetivamente instala o aplicativo, permitindo que códigos maliciosos escapem da fiscalização inicial.

A descoberta da Mnemonic evidencia uma vulnerabilidade que afeta diretamente milhões de usuários de smart TVs em diferentes marcas. Com a Samsung e a LG já tomando medidas para combater a presença de redes de proxy em seus ecossistemas de aplicativos, o desafio agora recai sobre a eficácia dessas inspeções diante de técnicas que se aproveitam de conteúdos carregados externamente para burlar as barreiras de segurança das lojas virtuais.

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