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IA Vai Acabar com os Empregos? O Medo é Global e os Primeiros Impactos Já Começam a Aparecer — Especialmente Entre os Jovens

20/09/2026
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Medo de IA destruir empregos é global, e pesquisas mostram onde o impacto já começa a aparecer

O receio de que a inteligência artificial se transforme em uma ameaça massiva ao emprego deixou de ser preocupação de poucos países ou de grupos restritos de trabalhadores. Levantamentos recentes conduzidos em diferentes regiões do mundo indicam que a inquietação é compartilhada por populações de perfis variados e atravessam o mercado de trabalho como um todo. Ao mesmo tempo, os dados disponíveis revelam um cenário mais nuançado do que a ideia de uma demissão em massa provocada pela tecnologia. Os primeiros sinais concretos aparecem de forma silenciosa, principalmente na entrada de jovens no mercado e na maneira como empresas e profissionais adotam e controlam o uso dessas ferramentas.

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Uma das pesquisas mais amplas sobre o tema foi realizada pelo Pew Research em 37 países. O levantamento mostra que, em 34 deles, a população considera mais provável que a IA reduza o número de empregos nos próximos 20 anos do que crie novas vagas. Na mediana dos países pesquisados, 46% dos entrevistados acreditam que haverá menos postos de trabalho por causa da tecnologia, enquanto apenas 9% esperam um aumento nas oportunidades. Cerca de um quarto dos participantes respondeu que não sabe o que esperar. O pessimismo se torna ainda mais expressivo em alguns países ricos. Austrália e Coreia do Sul aparecem com 76% dos respondents convictos de que a IA provavelmente reduzirá o número de empregos, e os Estados Unidos chegam a 71%. A percepção sobre desigualdade também segue uma tendência negativa, pois mais pessoas acreditam que a inteligência artificial aumentará a distância entre ricos e pobres do que aquelas que esperam uma redução dessa diferença. Ainda assim, a relação da sociedade com a tecnologia não é exclusivamente negativa. Na mediana global, 41% dizem estar tão preocupados quanto animados com o uso da IA no cotidiano, enquanto 37% se declaram principalmente preocupados e 13% principalmente animados.

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Nos Estados Unidos, uma análise revisada do Stanford Digital Economy Lab, baseada em dados de folha de pagamento da ADP que abrangem milhões de trabalhadores até junho de 2026, encontrou sinais iniciais de impacto especialmente entre os profissionais mais jovens. O estudo aponta que o emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações muito expostas à IA está 19% abaixo do esperado, na comparação com jovens que atuam em funções menos expostas à tecnologia. Os próprios autores fazem uma ressalva importante, pois isso não significa que 19% desses trabalhadores tenham perdido seus empregos por causa da IA. Os dados também não comprovam uma relação de causalidade, já que outros fatores econômicos podem ter influenciado os resultados. O padrão observado parece estar mais relacionado a menos contratações do que a um aumento expressivo nas demissões, e a mudança pode estar aparecendo primeiro na porta de entrada das empresas. Entre profissionais mais experientes, o estudo não encontrou diferença comparável, e em algumas funções o nível de emprego permaneceu estável ou chegou a crescer.

Outra frente de investigação, conduzida pelo Stanford SALT Lab, analisou como os chamados agentes de IA podem alterar o trabalho de aproximadamente 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Os pesquisadores ouviram 1,5 mil profissionais de 104 ocupações e analisaram 844 tarefas, buscando entender não apenas o que a inteligência artificial é capaz de fazer, mas também quais atividades os próprios trabalhadores estariam dispostos a delegar às máquinas. Em 46,1% das tarefas, os trabalhadores avaliaram positivamente a possibilidade de automação, principalmente quando ela poderia liberar tempo para atividades consideradas mais relevantes. Os pesquisadores destacam que existe uma diferença essencial entre perguntar o que a IA consegue fazer e saber o que as pessoas querem entregar para ela, já que as duas respostas nem sempre coincidem. Em muitas ocupações, o modelo preferido pelos trabalhadores é o de parceria, com humanos e IA dividindo as tarefas, em vez de entregar todo o trabalho para a máquina. A pesquisa também sugere uma mudança na importância relativa de determinadas habilidades, com tarefas ligadas ao processamento de informações podendo perder espaço proporcional, enquanto atividades relacionadas à coordenação, interação e tomada de decisão tendem a exigir maior participação humana.

Um levantamento da Deloitte UK, que ouviu 25 mil trabalhadores, expõe outro aspecto da transformação em curso. Segundo a pesquisa, 63% dos profissionais utilizam IA generativa no trabalho e quase um quarto afirma recorrer a essas ferramentas diariamente. Entre os usuários, 31% dizem usar IA sem que o empregador saiba, uma prática conhecida como shadow AI, na qual ferramentas de inteligência artificial passam a integrar a rotina profissional sem estarem previstas ou autorizadas pelas regras da empresa. O levantamento também revela que 49% dos trabalhadores não receberam treinamento formal para utilizar IA de maneira segura e eficaz, o que pode aumentar o risco de informações internas serem enviadas inadvertidamente para serviços externos. Os dados sugerem, portanto, que simplesmente liberar ou bloquear ferramentas de inteligência artificial pode não ser suficiente, e que as empresas precisam entender onde a tecnologia está sendo usada e quais tarefas realmente se beneficiam dela.

A combinação desses levantamentos ajuda a explicar por que a IA provoca preocupação em tantas partes do mundo. Executivos como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, já afirmaram publicamente a possibilidade de a tecnologia substituir profissões inteiras e representar uma nova revolução industrial. Esse discurso ajudou a destacar o potencial econômico da inteligência artificial, mas também alimentou receios sobre o futuro do trabalho. Pesquisas recentes mostram que esse medo já faz parte da percepção pública global, enquanto estudos sobre o mercado de trabalho começam a identificar mudanças concretas, especialmente entre trabalhadores jovens e nas tarefas que empresas e profissionais estão dispostos a delegar às máquinas.

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