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Da Nuvem ao Shopping: Como a Minimal está Construindo um Império de R$ 1 Bilhão com o Poder do Varejo Físico

31/07/2026
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Minimal transforma lojas físicas em principal alavanca de crescimento e mira receita de R$ 1 bilhão até 2030

A Minimal, marca de vestuário masculino reconhecida por suas camisetas de categoria premium, descobriu no comércio físico um motor de expansão que superou todas as expectativas iniciais. Fundada por José Bento Meirelles, a empresa chegou a receber recomendações de investidores e do conselho para adiar a entrada no varejo físico e concentrar esforços no e-commerce. Mesmo assim, decidiu arriscar e inaugurou sua primeira loja em Belo Horizonte, cidade natal da companhia. O resultado foi imediato e expressivo, a ponto de o próprio fundador afirmar que a operação se sustentou já no primeiro mês. O desempenho encorajou a empresa a acelerar os planos de expansão para outras praças.

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Após a unidade mineira, a Minimal abriu em maio uma loja no BarraShopping, no Rio de Janeiro, e prepara a chegada ao ParkShopping, em Brasília, prevista para novembro. Uma loja em São Paulo também consta no planejamento, mas ficou reservada para 2027. A estratégia do grupo é validar o modelo de negócios em diferentes cidades antes de partir para uma expansão mais agressiva. Bento reforça que o objetivo é comprovar que as lojas funcionam em mercados variados, criando uma base sólida para acelerar de fato nos próximos anos.

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Os números apresentados pelo CEO sustentam o otimismo da estratégia. A Minimal fechou o ano passado com R$ 90 milhões de faturamento, e o grupo projeta superar R$ 240 milhões em 2026. A meta de longo prazo é alcançar R$ 1 bilhão em receita anual até 2030, com as lojas físicas atuando como elemento acelerador. Segundo Bento, a modelagem financeira original previa que as unidades físicas respondessem por aproximadamente um terço do faturamento total, mas os resultados reais estão se mostrando ainda mais promissores do que o planejado.

O perfil do consumidor da Minimal é, segundo o fundador, um dos fatores centrais do desempenho das lojas. A marca sempre construiu sua identidade em torno do público empresarial, especialmente homens que se apresentam como empreendedores. Esse mesmo consumidor apareceu nas portas das lojas físicas por já ter uma relação estabelecida com a marca por meio dos canais digitais. O reconhecimento foi tão forte que Bento chegou a trabalhar como caixa nos primeiros dias da unidade no BH Shopping, que fica a dez minutos de seu escritório, e constatou em primeira mão o interesse e a fidelidade dos clientes.

Para o CEO, a loja física oferece uma vantagem que o e-commerce não consegue proporcionar: o contato direto com o consumidor. Bento explica que, no ambiente digital, a empresa se apoia fortemente em indicadores de desempenho, conhecidos como KPIs, e em painéis de controle de dados, os dashboards, o que pode afastar a operação da realidade das pessoas. Enxergar o cliente de frente, segundo ele, é o ativo mais valioso que a empresa pode ter. Mesmo que a operação física apenas equilibre as contas, ela ainda gera valor de marca e credibilidade que reverberam nas vendas online.

A estratégia de preços da Minimal também contribui para o desempenho. A tese do grupo é operar no segmento premium sem praticar preços altos, cortando intermediários e vendendo diretamente ao consumidor. Bento afirma que a marca consegue oferecer produtos por até metade do preço cobrado por concorrentes de alto padrão dentro dos mesmos shoppings. O público atendido é diversificado, reunindo desde consumidores de alto poder aquisitivo até clientes com menor capacidade de gasto, o que amplifica o alcance da marca nos centros comerciais.

Além do vestuário, o grupo conta com a Hoomy, marca de cama, mesa e banho criada pela holding da Minimal há cerca de três anos. A Hoomy segue a mesma filosofia da empresa-mãe, oferecendo qualidade elevada a preços competitivos, também por meio da venda direta ao consumidor. Segundo Bento, os produtos da Hoomy chegam a custar de metade a um terço do preço de concorrentes premium. A marca começou com lençóis, emplacou as toalhas como segundo produto e expandiu para itens como o cobertor pesado, conhecido como weighted blanket, uma categoria consolidada nos Estados Unidos e ainda pouco comum no Brasil.

O desempenho da Hoomy impressiona dentro do grupo. A marca cresce em ritmo mais acelerado do que a própria Minimal e apresenta um ticket médio quase três vezes superior. Bento estima que a Hoomy representará cerca de 30% do faturamento do grupo ao final deste ano. O sucesso foi tamanho que a marca inaugurou sua primeira loja física no BH Shopping em julho, e o resultado imediato indicou que a expansão para outras praças deverá acontecer de forma acelerada, com diversas redes de shopping já procurando a empresa para novas aberturas.

Diante do plano de abrir várias lojas no próximo ano, o grupo avalia formas de financiar essa expansão. A Minimal realizou apenas uma captação pequena, com investidores próximos, há cerca de três anos, e desde então cresceu reinvestindo praticamente todo o lucro, em um modelo conhecido como bootstrap, no qual a empresa se sustenta com recursos próprios sem depender de aportes externos. Bento admite que o volume de investimento necessário para a próxima fase é mais substancial e que opções como dívida de longo prazo ou uma rodada de venda de participação acionária estão sendo consideradas. A decisão final ainda está em avaliação pelo grupo.

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