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DeepMind Redesenha o Futuro: Equipe do AlphaFold é Redirecionada para o Desenvolvimento do Gemini

29/07/2026
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Google DeepMind dissolve equipe do AlphaFold e redireciona pesquisadores para o Gemini

O Google DeepMind desfez a equipe responsável pelo AlphaFold, sistema de inteligência artificial reconhecido por prever a estrutura tridimensional de proteínas com alta precisão. Os pesquisadores que integravam o grupo foram redistribuídos para outras iniciativas dentro do laboratório, com destaque para o desenvolvimento do Gemini, modelo de linguagem em larga escala da empresa. As informações foram divulgadas pelo jornal Financial Times, com base em análise de mudanças recentes de cargos e relatos de pessoas familiarizadas com o assunto.

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O AlphaFold é um software que utiliza modelos de difusão, a mesma técnica de inteligência artificial presente em geradores de imagem, para estimar a forma tridimensional das proteínas a partir de suas sequências de aminoácidos. Graças ao sistema, foi possível prever as estruturas de praticamente todos os 200 milhões de proteínas catalogadas até hoje, em um processo muito mais rápido e barato do que as técnicas tradicionais utilizadas em laboratório. O avanço tem aplicações diretas no desenvolvimento de medicamentos voltados a doenças relacionadas a proteínas.

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Parte dos autores dos primeiros artigos científicos sobre o AlphaFold foi realocada internamente para projetos construídos em torno do Gemini, além de áreas como design de enzimas, fusão nuclear e genômica. Outros pesquisadores foram transferidos para a Isomorphic Labs, empresa da Alphabet dedicada à descoberta de medicamentos. A Alphabet é a holding que controla o Google e outras companhias de ciência e tecnologia. De acordo com o Financial Times, cerca de um quarto dos autores dos artigos originais que ainda trabalhavam no DeepMind deixaram a empresa de forma definitiva.

A reestruturação foi confirmada pelo próprio Google DeepMind. O vice-presidente de pesquisa do laboratório, Pushmeet Kohli, explicou ao Financial Times que as mudanças refletem uma evolução nas prioridades científicas da organização. Segundo ele, durante os últimos nove anos a estratégia foi concentrar esforços em grandes desafios específicos, com cada projeto voltado a uma meta concreta. A partir de agora, o laboratório também pretende investir em sistemas baseados no Gemini que ajudem cientistas em diferentes disciplinas, além de desenvolver agentes de inteligência artificial para competir com empresas como Anthropic e OpenAI.

Entre os profissionais remanejados está John Jumper, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Química de 2024 pelo trabalho no AlphaFold. Ele foi transferido para a equipe responsável pelas habilidades de geração de código do Gemini. No entanto, no mês passado, Jumper deixou o Google e se juntou à Anthropic. Seus colegas Jonas Adler e Alexander Pritzel, que também atuavam na pesquisa de estruturas proteicas, seguiram o mesmo caminho. Um funcionário do DeepMind, que falou ao jornal sob condição de anonimato, afirmou que as saídas causaram surpresa dentro do laboratório, já que os três eram considerados membros centrais da equipe.

O trabalho que originou o AlphaFold começou em 2018, quando o DeepMind ainda atuava como subsidiária da Alphabet. Antes da reestruturação atual, o laboratório também era conhecido pelo AlphaGo, software de inteligência artificial que derrotou o campeão mundial do jogo de tabuleiro Go. Em 2023, diante do sucesso do ChatGPT e da crescente relevância da OpenAI, o DeepMind foi incorporado ao Google para contribuir diretamente com o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial nos produtos da empresa. Naquela época, o relacionamento entre as duas organizações era descrito como tenso, já que o laboratório mantinha foco acadêmico e científico, registrando prejuízos, enquanto buscava mais independência para suas atividades.

O reconhecimento internacional do AlphaFold veio em 2024, quando o Prêmio Nobel de Química foi concedido a Demis Hassabis, CEO e cofundador do DeepMind, a John Jumper e ao pesquisador David Baker, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. A reestruturação da equipe responsável pelo projeto marca o fim de uma fase do laboratório, que agora direciona seus principais talentos para o avanço de modelos gerais de inteligência artificial e para a disputa por espaço no segmento de agentes autônomos.

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