Vivo planeja encerrar redes 2G, 3G e 4G para operar exclusivamente com tecnologia 5G
A Vivo pretende desligar progressivamente suas redes 2G, 3G e 4G com o objetivo de concentrar toda a sua operação na tecnologia 5G. A confirmação foi feita pelo presidente da operadora, Christian Gebara, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, dia 28. Apesar de a empresa considerar a transição uma prioridade, ainda não definiu um cronograma oficial para o encerramento de cada uma das tecnologias. A retirada das redes antigas não acontecerá de forma simultânea, pois depende de fatores como a migração de equipamentos conectados a essas redes e da evolução dos acordos de compartilhamento de infraestrutura com a operadora TIM.
A tecnologia 2G deverá ser a primeira a ser desativada, conforme indicou o executivo. A justificativa está na baixa demanda atual registrada na rede. Com o desligamento, as frequências ocupadas pela tecnologia poderão ser reaproveitadas para redes móveis mais recentes, como o 4G e o 5G. O principal desafio para o encerramento do 2G, no entanto, está nos equipamentos de internet das coisas que ainda dependem dessa tecnologia para funcionar. Esses dispositivos precisam ser substituídos ou homologados para operar em outras redes antes que o desligamento seja efetivado.
A operadora também inclui o 3G e o 4G em seu plano de racionalização das redes, mas o encerramento de cada tecnologia ocorrerá em momentos distintos. Gebara destacou que a quarta geração ainda desempenha um papel relevante durante a expansão da cobertura 5G e continua recebendo investimentos da empresa. Segundo o presidente da Vivo, o foco atual de investimento está basicamente no 5G, com uma parcelo menor destinada ao 4G. O executivo não informou qual rede será a próxima a ser desativada após o 2G, tampouco indicou um ano estimado para que a operadora passe a trabalhar exclusivamente com o 5G.
Parte importante da estratégia de desligamento depende do acordo de compartilhamento de infraestrutura de rede entre Vivo e TIM, conhecido como RAN Sharing. Esse modelo permite que as operadoras compartilhem suas redes em determinadas cidades, de modo que apenas uma empresa mantenha a infraestrutura local, enquanto os clientes das duas continuam sendo atendidos normalmente. No caso específico do 2G, o compartilhamento abrangia inicialmente cerca de 2 mil municípios. As empresas receberam autorização para adicionar aproximadamente mais 2 mil cidades ao acordo, o que permitirá a retirada de antenas e outros equipamentos redundantes sem prejudicar a cobertura oferecida aos usuários.
A frente de expansão das redes 3G e 4G dentro desse modelo de compartilhamento já alcança 716 municípios, em que uma operadora atende os clientes da concorrente em localidades onde apenas ela possui infraestrutura própria. Segundo Gebara, outras 265 localidades receberam aprovação para entrar no acordo. Há ainda a frente de otimização, direcionada a municípios com menos de 30 mil habitantes nos quais as duas operadoras mantinham redes próprias. Esse formato permite concentrar o atendimento em uma única estrutura e já abrange quase 500 cidades, divididas de forma aproximadamente igual entre Vivo e TIM.
As empresas solicitaram a inclusão de novos municípios nessa modalidade de otimização, mas ainda não obtiveram a autorização pretendida. Gebara informou que o assunto segue em discussão com a Anatel, agência reguladora do setor de telecomunicações no Brasil. Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão responsável pela fiscalização da concorrência no país, abriu espaço para a apresentação de uma nova petição sobre o tema. Essas definições regulatórias são fundamentais para que o compartilhamento seja ampliado e, consequentemente, para que a retirada das redes antigas avance de forma segura.
O desligamento definitivo das redes antigas dependerá, portanto, de uma combinação de fatores que envolvem a migração dos usuários, a substituição dos equipamentos remanescentes e a obtenção de autorizações para ampliar o compartilhamento de infraestrutura entre as operadoras. O plano de modernização da Vivo, contudo, não se limita ao encerramento das redes tradicionais. A operadora também estuda a possibilidade de oferecer aos seus clientes o sinal da Starlink, serviço de internet via satélite, diretamente no celular. Essa iniciativa integra um conjunto de ações que visam preparar a companhia para um cenário cada vez mais centrado em tecnologias mais avançadas e eficientes.