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IA oferece prêmio salarial de 28%, mas Excel segue dominando vagas

10/08/2026
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Um estudo da Lightcast, empresa especializada em análise de dados do mercado de trabalho, examinou mais de 1,3 bilhão de anúncios de emprego e identificou um padrão claro: posições que exigem competências em inteligência artificial pagam, em média, 28% a mais do que funções equivalentes sem essa exigência. Esse prêmio salarial equivale a aproximadamente 18 mil dólares por ano. O dado reforça a percepção de que o domínio de ferramentas de IA se transformou em um diferencial financeiro significativo para profissionais de diversas áreas.

Apesar do valor agregado pela inteligência artificial, a pesquisa revelou um dado que surpreende à primeira vista: 51% das vagas que pedem conhecimentos de IA não pertencem ao setor de tecnologia. As oportunidades estão distribuídas em áreas como finanças, saúde, educação, varejo e logística. Ou seja, a IA deixou de ser uma exigência restrita a desenvolvedores e engenheiros de dados e passou a integrar descrições de cargos em escritórios, clínicas, escolas e armazéns.

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É justamente nesse cenário que uma ferramenta com quatro décadas de existência mantém sua relevância. O Excel, planilha eletrônica da Microsoft lançada em 30 de setembro de 1985 — curiosamente, primeiro no Macintosh —, completou 40 anos em 2025. A própria Microsoft promoveu uma celebração pública para marcar a data. Quatro décadas depois do lançamento, a expectativa natural seria a de um declínio no uso da ferramenta, substituída por soluções mais modernas. O oposto aconteceu: o Excel se consolidou como infraestrutura básica do trabalho corporativo.

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Os dados da Lightcast ajudam a compreender o aparente paradoxo entre o avanço da inteligência artificial e a persistência de ferramentas tradicionais. O relatório de 2025, construído sobre o volume expressivo de anúncios analisados, mostrou que o conhecimento de IA valoriza a candidatura, mas é a familiaridade com tabelas dinâmicas, fórmulas e estruturas de planilhas que se destaca em grande parte das entrevistas de emprego. A prática cotidiana em muitos setores continua ancorada em planilhas para orçamentos, relatórios de vendas, horários e controles operacionais.

Há uma leitura prática desse fenômeno que vale atenção. Os assistentes de IA integrados às ferramentas de produtividade não substituem o domínio das funcionalidades básicas — eles o complementam. Um assistente baseado em IA pode gerar uma fórmula complexa em segundos, mas cabe ao profissional interpretar o resultado, identificar eventuais erros e adaptar a planilha ao contexto real da empresa. Essa é a diferença entre solicitar uma solução e compreender sua aplicação.

Nos processos de recrutamento, essa distinção continua sendo avaliada de maneira direta. Muitas seleções ainda incluem testes práticos com arquivos abertos diante do candidato e tarefas concretas a resolver. A capacidade de manipular dados em uma planilha, criar relatórios dinâmicos e estruturar informações de forma lógica permanece como critério objetivo de avaliação, mesmo em vagas que também exigem familiaridade com ferramentas de IA.

No Brasil, o movimento de incorporação de competências em inteligência artificial acelerou de forma significativa. Dados da PwC, firma global de serviços profissionais e auditoria, indicam que o número de vagas que exigem conhecimentos em IA quadruplicou entre 2021 e 2024 no país. O crescimento reflete uma tendência em que empresas brasileiras passaram a incorporar tecnologias de IA em processos de negócios, desde análise de dados e atendimento ao cliente até gestão de cadeias de suprimento e planejamento financeiro.

A combinação entre habilidades clássicas e competências emergentes aparece como fator determinante nesse mercado em transformação. Profissionais que dominam ferramentas tradicionais como Excel e, ao mesmo tempo, sabem utilizar recursos de IA generativa para otimizar tarefas, posicionam-se de forma mais competitiva. A pesquisa da Lightcast sugere que não se trata de escolher entre o antigo e o novo, mas de acumular capacidades que, juntas, atendem às demandas reais dos empregadores.

O fato de metade das vagas com exigência de IA estar fora do setor de tecnologia tradicional também redireciona o foco da formação profissional. Médicos, gestores financeiros, professores e profissionais de recursos humanos passaram a lidar com sistemas que utilizam aprendizado de máquina (tecnologia que permite que computadores aprendam padrões a partir de dados) e processamento de linguagem natural (área da IA que possibilita a interação entre humanos e máquinas por meio de texto ou voz). Nesses contextos, a planilha eletrônica permanece como ponto de partida para a organização e análise de informações.

A trajetória do Excel ilustra uma característica recorrente na adoção de tecnologias corporativas: ferramentas que se tornam padrão de mercado tendem a resistir à substituição por longos períodos, mesmo quando alternativas mais avançadas surgem. A familiaridade dos usuários, a integração com sistemas existentes e o custo de transição atuam como barreiras naturais à mudança. Somado a isso, a Microsoft tem atualizado o Excel com recursos de IA, como sugestões automáticas de fórmulas e análise de dados, prolongando sua utilidade em um cenário de rápida evolução tecnológica.

A pesquisa da Lightcast, somada aos dados da PwC sobre o mercado brasileiro, traça um panorama em que a inteligência artificial amplifica oportunidades e remunerações, mas não elimina a necessidade de competências consolidadas. Para profissionais em diferentes setores, a mensagem é clara: o domínio de ferramentas como o Excel continua sendo avaliado e valorizado, e o conhecimento de IA funciona como um multiplicador desse valor, e não como um substituto. A preparação para o mercado de trabalho, portanto, passa pela articulação entre o que já existe e o que está emergindo.

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