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A Tirania da Eficiência: Por que a Luta Contra a Improdutividade está nos Adoecendo

26/09/2026
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Coluna do UOL Tilt defende "manifesto pela improdutividade" e expõe a culpa escondida na cultura do desempenho

Uma coluna assinada por Luiz Henrique Matos, publicada no UOL Tilt, propõe o que o próprio título anuncia: um manifesto pela improdutividade. O texto nasce como uma contraposição direta à lógica contemporânea que transforma cada minuto do dia em algo a ser aproveitado, contabilizado e otimizado. Em vez de celebrar o alcance de metas e o cumprimento de tarefas, o autor escolhe defender o direito de não produzir constantemente.

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O ponto de partida da reflexão é um provérbio italiano destacado na abertura da coluna: "O homem mede o tempo, e o tempo mede o homem". A frase resume o cerne do argumento. Se, por um lado, as pessoas criaram instrumentos para controlar e dividir o tempo, por outro, essa mesma régua acabou se voltando contra elas, passando a avaliar, julgar e cobrar cada indivíduo pela forma como ocupa suas horas. O tempo deixa de ser apenas uma medida neutra e se converte em um espelho que devolve a cada um uma imagem do próprio desempenho.

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No corpo do texto, o colunista faz uma confissão pessoal que ilustra o problema. Segundo ele, os recursos que supostamente deveriam auxiliá-lo em sua rotina cumprem, na prática, uma função bem diferente: servem, sobretudo, para fazê-lo sentir culpa. Essa culpa nasce da impossibilidade de estar em dia com o sentimento de produtividade que ele gostaria de ter. Ou seja, aquilo que se apresenta como ajuda termina operando como cobrança permanente, alimentando a sensação de que sempre há algo incompleto, algo que poderia ter sido feito de forma mais eficiente.

A ironia percebida pelo autor é o que sustenta a proposta do manifesto. Ao admitir que os instrumentos de apoio produzem mais desconforto do que alívio, o texto sugere que a promessa de organização e rendimento carrega um peso emocional que raramente é reconhecido. A palavra produtividade, central na discussão, deixa de representar apenas um conceito técnico de eficiência e passa a descrever um estado emocional desejado, algo que a pessoa sente que deveria alcançar para se considerar em ordem com o próprio tempo.

O gesto de escrever um manifesto pela improdutividade funciona, assim, como uma declaração contrária a essa cobrança contínua. O texto retoma a sabedoria do provérbio italiano para lembrar que a relação entre homem e tempo é de mão dupla, e que permitir-se a pausa pode ser uma forma de responder a essa troca de posições entre quem mede e quem é medido. No conjunto, a coluna sustenta que reconhecer a culpa produzida pela exigência de rendimento é o primeiro passo para libertar-se dela.

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