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JD.com planeja substituir 700 mil entregadores por robôs, mas aposta na requalificação dos trabalhadores

25/06/2026
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JD.com afirma que robôs vão substituir 700 mil entregadores em futuro próximo

O fundador da gigante chinesa de comércio eletrônico JD.com, Richard Liu, afirmou que os cerca de 700 mil entregadores humanos da empresa serão substituídos por robôs de delivery "mais cedo ou mais tarde". A declaração foi feita durante o Fórum de CEOs da APEC, a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, e reacende o debate sobre os impactos da automação em larga escala no mercado de trabalho.

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Atualmente conselheiro da companhia, Liu reconheceu que a substituição dos profissionais por máquinas é inevitável diante do avanço da robótica. Para evitar um colapso social, a JD.com anunciou um plano de reposicionamento dos trabalhadores afetados. A empresa firmou acordos com aproximadamente 120 instituições de ensino para oferecer treinamentos em áreas como manutenção e reparo dos próprios robôs de delivery, possibilitando uma transição para funções técnicas ligadas à operação dos novos sistemas automatizados.

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O movimento da JD.com acontece em um contexto de expansão acelerada da logística autônoma na China. De acordo com dados publicados pelo The Wire China, somente em julho de 2025 foram encomendados cerca de 30 mil novos ADVs, veículos autônomos de delivery projetados para realizar entregas sem a necessidade de um motorista humano. Esses equipamentos já estão distribuídos em aproximadamente 200 cidades chinesas, consolidando uma tendência que também avança em outras partes do mundo.

A expectativa é que esse cenário se intensifique nos próximos anos. Segundo projeções mencionadas na reportagem original, a China deve atingir a marca de 320 milhões de trabalhadores autônomos até o final de 2026. Esse contingente inclui não apenas entregadores, mas também motoristas de aplicativo e profissionais que atuam em fábricas sob contratos temporários, o que evidencia a crescente flexibilização das relações de trabalho no país asiático.

O caso da JD.com não é isolado. Diversas empresas ao redor do mundo têm adotado soluções robóticas em diferentes setores. Os robôs humanoides desenvolvidos pela chinesa Unitree já atuam no principal aeroporto do Japão, realizando tarefas de atendimento e suporte. No setor industrial, modelos da americana Figure AI estão integrados a linhas de produção em fábricas, assumindo funções que antes eram exercidas por trabalhadores humanos. Até mesmo a segurança pública tem sido impactada: cães robôs da Boston Dynamics foram empregados em ações de policiamento em um estádio que sediará jogos da Copa do Mundo de 2026, na cidade de Dallas, nos Estados Unidos.

No Brasil, o setor de entregas também já experimenta os primeiros testes com automação. O iFood, uma das maiores plataformas de delivery do país, realizou experimentos com robôs de entrega e drones, buscando avaliar a viabilidade dessas tecnologias no contexto urbano brasileiro. Os resultados desses testes podem indicar caminhos para uma eventual expansão desse modelo no território nacional.

A discussão sobre a substituição de trabalhadores humanos por máquinas ganhou força nos últimos meses com o avanço da inteligência artificial e da robótica. O temor de demissões em massa contrasta com a promessa de criação de novas funções ligadas à operação e manutenção desses sistemas. No caso da JD.com, a estratégia de capacitar os próprios funcionários para atuar no novo ecossistema automatizado pode servir como referência para outras corporações que enfrentam dilemas semelhantes.

O pronunciamento de Richard Liu evidencia que a automação logística deixou de ser uma hipótese distante e passou a fazer parte do planejamento estratégico de grandes empresas. Resta acompanhar como os governos e a sociedade vão lidar com a transição de milhões de profissionais para um mercado de trabalho cada vez mais dominado por algoritmos e máquinas autônomas.

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