uBlock Origin clássico chegará ao fim no Chrome com fim do suporte ao Manifest V2
O Google Chrome está prestes a remover os últimos mecanismos de compatibilidade com o Manifest V2, o que tornará a versão clássica do uBlock Origin inutilizável no navegador. A decisão, anunciada pelos desenvolvedores do Chrome nesta semana, afeta diretamente milhões de usuários que dependem da popular extensão de bloqueio de anúncios e que conseguiram mantê-la funcionando mesmo após a perda oficial de suporte em meados de 2024.
O Manifest V2 é um conjunto de funções e regras que determina como determinadas extensões interagem com o navegador. Foi justamente esse conjunto que permitiu que o uBlock Origin continuasse operando no Chrome e em outros navegadores baseados no Chromium, como o Edge, mesmo depois de a extensão ter perdido o suporte oficial. O Google, no entanto, vem conduzindo há anos uma migração para o Manifest V3, introduzido em 2021 e tornado padrão no Chromium ao longo de 2024. Com essa transição, extensões baseadas no Manifest V2 passaram a ser bloqueadas oficialmente em 2025.
Apesar do bloqueio oficial, o manteve vias de acesso residuais ao Manifest V2 por meio de sinalizadores experimentais, políticas corporativas e até alterações no Registro do Windows. Essas alternativas permitiram que usuários mais experientes continuassem utilizando o uBlock Origin clássico sem problemas. Agora, porém, os desenvolvedores do Chrome confirmaram que esses caminhos alternativos serão completamente removidos do projeto em breve, selando de vez o destino da extensão no navegador.
Na prática, o uBlock Origin clássico deixará de funcionar após o lançamento da versão 150 do Chrome e, de forma definitiva, na versão 151. A alternativa indicada para quem deseja continuar bloqueando anúncios no navegador do Google é o uBlock Origin Lite, uma versão construída sobre o Manifest V3. O problema é que essa variante é consideravelmente mais limitada em recursos, justamente por causa das restrições impostas pela nova arquitetura de extensões, que reduz significativamente a capacidade de atuação dos bloqueadores de anúncios.
A mudança no Chrome também deve impactar outros navegadores baseados no Chromium, como o Edge e o Opera, em algum momento futuro. A Opera Software, no entanto, informou à imprensa que seu navegador continuará oferecendo suporte ao Manifest V2. Curiosamente, a empresa também revelou recentemente que seu novo bloqueador de anúncios nativo já funciona com base no Manifest V3, o que sugere uma estratégia dupla de compatibilidade. Já o Brave, outro navegador derivado do Chromium, mantém o suporte ao Manifest V2 por meio de modificações diretas no código-fonte do projeto base, o que garante o funcionamento de extensões como o uBlock Origin clássico.
Para os usuários do Firefox, a situação é diferente. O navegador da Mozilla não é baseado no Chromium e suporta tanto o Manifest V2 quanto o Manifest V3, o que significa que o uBlock Origin clássico continuará funcionando normalmente nessa plataforma. O projeto da extensão segue ativo e mantido por seus desenvolvedores, sem risco de descontinuação.
A transição do Manifest V2 para o Manifest V3 é vista pelo Google como uma medida de segurança e desempenho. No entanto, desenvolvedores de bloqueadores de anúncios criticam duramente a nova versão, argumentando que ela restringe funcionalidades essenciais dessas ferramentas e compromete a experiência de navegação dos usuários. Com a remoção definitiva dos mecanismos de compatibilidade, restará aos usuários de Chrome escolher entre alternativas mais limitadas ou migrar para navegadores que ainda preservem o suporte ao formato anterior.