Óculos inteligentes da Samsung são revelados em vazamento e prometem integração com inteligência artificial do Google
Imagens recentes divulgadas pelo portal Android Headlines revelaram pela primeira vez o visual dos Galaxy Glasses, os óculos inteligentes que a Samsung desenvolve sob o codinome interno Jinju. As imagens mostram um dispositivo com aparência discreta, projetado para ser usado no cotidiano sem chamar atenção, seguindo uma tendência que já pode ser observada em produtos concorrentes como os óculos Meta Ray-Ban e os protótipos Gemini Glasses do Google. A estratégia da fabricante sul-coreana consiste em oferecer uma experiência de inteligência artificial wearable, ou seja, vestível, que se integre ao seu ecossistema de produtos sem sacrificar o conforto do usuário.
A aposta da Samsung nesse segmento não é isolada. O mercado de óculos inteligentes tem ganhado força nos últimos anos, especialmente após a Meta consolidar seu modelo de parceria com a EssilorLuxottica para a linha Ray-Ban. Seguindo caminho semelhante, a Samsung estabeleceu colaborações com as marcas Warby Parker e Gentle Monster para o desenvolvimento das armações dos Galaxy Glasses. Essa abordagem permite à empresa combinar expertise em tecnologia com design de moda reconhecido, fator considerado essencial para a aceitação de dispositivos vestíveis por parte do consumidor comum.
As especificações técnicas divulgadas pelo vazamento indicam que o modelo Jinju utilizará o processador Snapdragon AR1 da Qualcomm, chip projetado especificamente para dispositivos de realidade aumentada e wearables. A câmera prevista é de 12 megapixels com sensor Sony IMX681, componente que deve capturar imagens do ambiente para alimentar as funções de inteligência artificial do aparelho. A bateria de 155 mAh acompanha o peso total de aproximadamente 50 gramas, o que coloca o dispositivo em uma faixa de massa comparável à de óculos de sol convencionais. A conectividade será garantida por WiFi e Bluetooth 5.3, enquanto o áudio deve ser reproduzido por alto-falantes direcionais embutidos nas hastes, com patentes da Samsung mencionando também a possibilidade de uso de tecnologia de condução óssea para transmissão sonora.
No campo do software, os Galaxy Glasses devem rodar o Android XR, sistema operacional criado pelo Google para dispositivos de realidade estendida. A inteligência artificial Gemini, desenvolvida pelo Google, virá integrada de forma nativa ao aparelho. Essa combinação deve permitir funcionalidades como tradução de textos em placas e letreiros em tempo real, captura fotográfica por comando de voz e consultas sobre condições climáticas e rotas de navegação no Google Maps, tudo processado através da interação entre a câmera dos óculos, o processador Qualcomm e os modelos de IA em nuvem.
Um ponto relevante divulgado pelo vazamento é que a primeira geração dos Galaxy Glasses não deverá contar com projeção de informações visuais sobre as lentes. Esse recurso, aguardado por muitos entusiastas de tecnologia, ficaria reservado ao segundo modelo da linha, identificado pelo codinome Haean e previsto para chegar ao mercado apenas em 2027. A decisão de lançar primeiro uma versão sem tela reflete uma estratégia conservadora que permite à Samsung testar a aceitação do público e refinar a experiência antes de introduzir componentes mais complexos e dispendiosos, como micro-LEDs integrados às lentes.
O contexto em que a Samsung insere os Galaxy Glasses é marcado pela recepção considerada moderada do Galaxy XR, dispositivo de realidade estendida lançado anteriormente pela empresa com design mais volumoso e pesado. A transição para um formato de óculos leves e discretos representa uma mudança significativa de posicionamento, alinhada à expectativa do mercado por wearables que possam ser usados durante todo o dia sem desconforto. A confirmação do projeto veio durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025 da Samsung, quando o vice-presidente sênior de Experiências Móveis, Seong Cho, afirmou publicamente que a empresa lançaria óculos com inteligência artificial no decorrer de 2026.
No que se refere a preço e cronograma, o modelo Jinju deve ter valores a partir de 379 dólares nos Estados Unidos, com lançamento previsto para o final de 2026. Há a possibilidade de que uma prévia oficial ocorra no evento Samsung Unpacked de julho, tradicionalmente utilizado para apresentar os novos smartphones dobráveis da empresa. Já o modelo Haean, com tela integrada, deve chegar ao mercado em 2027 com preço inicial estimado em 600 dólares. É importante ressaltar que esses valores correspondem ao mercado norte-americano e que conversões diretas para outras moedas, como o real, não necessariamente refletem os preços praticados fora dos Estados Unidos.
A fabricante também alerta que os valores finais podem sofrer alterações em razão da valorização de componentes essenciais, como memórias e processadores dedicados à inteligência artificial. Esse custo adicional reflete a complexidade técnica envolvida na fabricação de dispositivos que integram câmeras de alta resolução, chips de processamento avançado e conectividade constante em um formato compacto e leve, demandando engenharia de hardware sofisticada e cadeias de suprimento especializadas.
Com a entrada da Samsung, o mercado de óculos inteligentes tende a se tornar ainda mais competitivo, somando-se aos esforços já realizados pela Meta com os Ray-Ban, pelas iniciativas do Google com os Gemini Glasses e pelas movimentações da Apple no segmento de wearables. A aposta coreana coloca os Galaxy Glasses como um dos primeiros dispositivos do ecossistema Android XR voltados ao uso diário contínuo, o que pode definir o ritmo de evolução de uma categoria de produtos que promete transformar a forma como os usuários interagem com informações e serviços de inteligência artificial no cotidiano.