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Paradoxo da IA: americanos usam a tecnologia todos os dias, mas maioria segue desconfiada e preocupada, revela pesquisa

23/09/2026
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Americanos que usam inteligência artificial todos os dias continuam preocupados com a tecnologia, aponta nova pesquisa

Uma nova pesquisa da Universidade Quinnipiac revelou que a crescente adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) pelos norte-americanos não está acompanhada de um aumento na confiança nessas tecnologias. De acordo com o levantamento, divulgado nesta semana, a maioria da população utiliza sistemas baseados em IA em suas atividades cotidianas, mas mantém uma postura de desconfiança em relação aos resultados produzidos por esses recursos.

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O estudo entrevistou cerca de 1.400 adultos nos Estados Unidos e identificou que 76% dos participantes declararam confiar raramente ou apenas às vezes em informações geradas por inteligência artificial. Apenas 21% afirmaram confiar na maior parte ou quase todo o tempo nos resultados apresentados por essas ferramentas. Ao mesmo tempo, o número de pessoas que nunca utilizaram algum recurso de IA caiu de 33% em abril de 2025 para 27% na pesquisa mais recente, o que evidencia um avanço consistente na adoção da tecnologia.

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Para Chetan Jaiswal, professor de ciência da computação na Quinnipiac, existe uma contradição clara entre o uso crescente e a baixa confiança da população. Segundo ele, 51% dos entrevistados afirmaram utilizar IA para realizar pesquisas, enquanto muitos também recorrem à tecnologia para escrever textos, desenvolver trabalhos e analisar dados. Ainda assim, a percepção predominante é de hesitação, e não de adesão convicta.

Os números revelam um cenário de ceticismo generalizado. A pesquisa mostra que 55% dos norte-americanos acreditam que a inteligência artificial causará mais prejuízos do que benefícios em seu cotidiano, enquanto apenas um terço dos entrevistados avalia que a tecnologia trará mais vantagens do que desvantagens. O levantamento também identificou que apenas 6% dos participantes se declararam muito animados com os avanços da IA, ao passo que 62% afirmaram não estar nem um pouco ou pouco empolgados.

Quando o tema é preocupação, os índices se invertem. Cerca de 80% dos entrevistados declararam estar muito ou razoavelmente preocupados com o impacto da inteligência artificial. As gerações mais velhas, como millennials e baby boomers, lideram o grupo dos mais preocupados, seguidos pela geração Z. Os dados indicam que a familiaridade com as ferramentas não atenua as inquietações existentes.

O relatório também abordou os efeitos da IA sobre o mercado de trabalho. Aproximadamente 70% dos participantes acreditam que os avanços da inteligência artificial reduzirão o número de oportunidades de emprego disponíveis. Entre os trabalhadores ocupados, 30% manifestaram preocupação concreta de que a IA torne suas próprias funções obsoletas, um salto em relação aos 21% registrados no levantamento anterior. De acordo com Tamilla Triantoro, professora de análise de negócios e sistemas de informação na Quinnipiac, os norte-americanos demonstram maior preocupação com o impacto geral da IA no mercado de trabalho do que com a possibilidade de perda de seus próprios postos. Esse comportamento sugere uma tendência a enxergar a transformação como algo coletivo e distante, embora cada vez mais presente.

Os pesquisadores também chamaram a atenção para a relação entre o uso da tecnologia e a percepção negativa sobre o setor. Eles apontam que o contexto recente, marcado por demissões em grandes empresas de tecnologia, casos de dependência emocional relacionados à IA e a expansão de centros de dados que pressionam a rede elétrica, contribuiu para a deterioração da imagem da inteligência artificial junto à opinião pública.

A pesquisa revelou ainda uma resistência significativa à instalação de novos centros de processamento de dados usados para treinar modelos de IA. Cerca de 65% dos norte-americanos afirmaram não querer que uma estrutura desse tipo fosse construída em sua comunidade. As principais justificativas apresentadas envolvem o aumento nos custos de energia elétrica e o consumo elevado de água.

O conjunto de dados apresentado no levantamento reforça a conclusão de que a maior exposição à inteligência artificial não tem sido suficiente para reduzir as preocupações da população nem para diminuir o apoio público a mecanismos de regulação da tecnologia. Pelo contrário, o crescimento no uso das ferramentas tem sido acompanhado por um aumento no ceticismo em relação ao setor e por uma demanda crescente por maior transparência e controle sobre o desenvolvimento e a aplicação desses sistemas.

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