Rockstar admite uso de drones espiões e chantagens de hackers em batalha judicial em torno de GTA 6
A Rockstar Games declarou estar em estado de "hipervigilância" com a segurança e a confidencialidade de GTA 6 durante um processo trabalhista movido por 23 ex-funcionários contra a produtora. A revelação aconteceu em meio a um embate jurídico que expôs as medidas extremas adotadas pela empresa para proteger um dos projetos mais aguardados da indústria dos jogos eletrônicos, incluindo relatos de drones sobrevoando suas dependências e tentativas de extorsão praticadas por grupos de hackers.
O conflito teve origem na demissão de 34 funcionários em outubro de 2025. Segundo a produtora, as dispensas foram motivadas pelo acesso ao servidor privado do Discord chamado "Rockstar Game Workers Union", espaço que reunia mais de 300 participantes, entre eles ex-funcionários, profissionais de empresas concorrentes e um jornalista. O Discord é uma plataforma de comunicação utilizada para conversas em comunidades organizadas por servidores temáticos.
No processo, os desenvolvedores demitidos sustentam que foram dispensados sem justa causa e perseguidos por exercerem atividades sindicais, sem que houvesse o devido processo legal. A acusação dos ex-funcionários também aponta que a Rockstar teria mantido um infiltrado dentro do servidor destinado às discussões trabalhistas, prática que seria utilizada para monitorar as conversas do grupo.
Do outro lado da disputa, a produtora alega que os ex-desenvolvedores repassavam informações sigilosas sobre recursos e cronograma de GTA 6. Para a empresa, um eventual vazamento desses dados poderia comprometer a confiança do mercado e afetar o valor das ações da Take-Two Interactive, empresa controladora da Rockstar. A companhia também afirma que os funcionários dispensados proferiam ofensas contra a diretoria e a estrutura organizacional.
Em suas alegações judiciais, a Rockstar detalhou que os participantes do servidor faziam referência direta a "recursos do jogo, um dos segredos mais bem guardados da empresa" e circulavam dados sobre "se ele estava no prazo ou atrasado em relação ao cronograma de lançamento anunciado publicamente". Para a produtora, esse tipo de conversa configura compartilhamento indevido de informações estratégicas e confidenciais.
As revelações feitas em tribunal vão além da disputa trabalhista. A empresa afirmou que sofre "ataques regulares às suas redes e sistemas" e relatou um episódio inusitado de espionagem: pessoas teriam utilizado drones equipados com câmera para sobrevoar as janelas do escritório da Rockstar, na tentativa de capturar imagens de versões em desenvolvimento de GTA 6, conhecidas como builds. A prática teria forçado a companhia a instalar filmes de privacidade nos vidros de seus prédios, material que impede a visualização do ambiente interno.
Além da espionagem aérea, a produtora relatou ser alvo de chantagens de grupos hackers. Embora não tenha citado nomes oficialmente, a referência provavelmente aponta para o Cyberleek, persona ou grupo responsável por vazar diversos clipes de GTA 6 antes que a Rockstar divulgasse mais detalhes do jogo em parceria com a Netflix.
O caso reforça a dimensão histórica dos vazamentos envolvendo GTA 6, considerados um dos episódios mais expressivos da indústria dos games. O Cyberleek divulgou mais de uma dezena de clipes de jogabilidade e, aparentemente, tinha acesso a versões jogáveis do título. A dimensão do ataque coloca os incidentes com facilidade na lista dos seis maiores ataques hackers já registrados na história dos videogames.
Enquanto o processo trabalhista segue em andamento, a Rockstar permanece em alerta máximo. O confronto entre as acusações de perseguição sindical e as alegações de vazamento de segredos corporativos coloca em evidência os desafios enfrentadas por uma das maiores produtoras do mundo para proteger sua principal aposta comercial, cercada tanto por disputas internas quanto por investidas externas.