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São Paulo e OpenAI assinam acordo para expandir IA no setor público

21/08/2026
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A Prefeitura de São Paulo firmou um memorando de entendimento com a OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, para incorporar soluções de inteligência artificial à administração municipal. O acordo foi conduzido pela Prodam, empresa de tecnologia do município, e faz da capital paulista a primeira cidade da América Latina a utilizar a tecnologia da companhia nesse formato. A iniciativa começa em São Paulo, mas abre caminho para que ferramentas testadas no município cheguem a prefeituras de todo o país.

Entre as aplicações previstas estão o exame de documentos, o resumo de informações, o apoio a rotinas administrativas e a redução do volume de tarefas repetitivas. Tudo dentro das exigências de segurança, proteção de dados e infraestrutura que regem o setor público, requisitos centrais em qualquer projeto de tecnologia que envolva informações de cidadãos.

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A estratégia da Prodam é usar a maior cidade do país como laboratório. A empresa municipal pretende testar aplicações da tecnologia da OpenAI no serviço público paulistano e, em uma etapa posterior, levar as soluções bem-sucedidas a outras administrações municipais. O desenho transforma a capital em ambiente de validação antes de qualquer expansão em escala.

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A OpenAI é responsável pelo ChatGPT, assistente de inteligência artificial baseado nos modelos GPT, e também pelas interfaces de programação que dão a desenvolvedores acesso a esses modelos. No mercado, os usos mais difundidos dessas ferramentas estão justamente em tarefas de leitura, resumo e produção de textos, as mesmas previstas no acordo com a prefeitura.

Oliver Jay, presidente de Estratégia Internacional da OpenAI, afirmou que a capital paulista será a primeira cidade da América Latina a usar a tecnologia da companhia nesse modelo. Para a empresa, o acordo marca a entrada de suas ferramentas no setor público municipal da região.

Os números do mercado brasileiro ajudam a explicar o interesse da companhia. A empresa aponta o Brasil como seu terceiro maior mercado em usuários ativos e como o país com a segunda maior comunidade de desenvolvedores de API. API é a interface de programação que permite integrar modelos de inteligência artificial a sistemas de terceiros, de aplicativos a plataformas corporativas.

Do ponto de vista jurídico, um memorando de entendimento não cria obrigações contratuais imediatas. O instrumento formaliza a disposição das partes para explorar conjuntamente o uso da tecnologia, o que costuma abrir espaço para projetos experimentais e acordos definitivos mais adiante.

O canal previsto para a expansão das soluções é a Prodam Store. A proposta é que ferramentas desenvolvidas ou contratadas na capital sejam disponibilizadas também a outros governos, aproveitando a escala de contratação da maior cidade do país. Na prática, o modelo permitiria que municípios de menor porte adotassem tecnologia já testada em um grande centro urbano, sem precisar estruturar contratações próprias desde o início.

Um dos argumentos usados para dimensionar o potencial do projeto vem do exterior. Um estudo do governo britânico apontou economia média de 26 minutos por dia por servidor público com o uso de inteligência artificial. É a partir desse dado que a Prodam construiu sua estimativa de ganho de produtividade.

Aplicada como referência aos cerca de 133 mil servidores da Prefeitura de São Paulo, a média britânica poderia liberar aproximadamente 12,7 milhões de horas de trabalho por ano. O cálculo é da própria empresa municipal e considera o quadro de pessoal atual do município.

A Prodam reconhece, contudo, os limites da projeção. O estudo britânico avaliou outra ferramenta de inteligência artificial, e não a tecnologia da OpenAI, o que faz do número apenas uma referência de grandeza, e não uma previsão de resultado.

As frentes previstas no memorando concentram-se em trabalho administrativo intensivo em leitura e redação de textos. Exame de documentos, resumo de informações e tarefas repetitivas são exatamente os tipos de atividade em que modelos de linguagem, sistemas de inteligência artificial treinados para compreender e produzir texto, já são empregados no mercado para reduzir o tempo gasto em rotinas manuais.

Se as soluções cumprirem o papel esperado, o passo seguinte já está desenhado. A disponibilização na Prodam Store colocaria São Paulo na função de grande comprador e validador de tecnologia para o restante do país.

O acordo ainda está em fase inicial, e a expansão para outros municípios depende dos resultados dos testes na capital. O modelo proposto, no entanto, já indica um caminho definido: validar em São Paulo e, depois, escalar para o restante do país.

Para a OpenAI, a parceria reforça a presença em um dos seus mercados mais fortes em usuários e desenvolvedores. Para o setor público brasileiro, a experiência servirá como teste prático do ganho de produtividade que a inteligência artificial consegue entregar em ambientes com fortes exigências de segurança e proteção de dados.

A experiência paulistana, portanto, funciona como parâmetro. Os resultados observados na administração municipal serão a base para a decisão de outros governos sobre a adoção das mesmas ferramentas.

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