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Estudo da Agência Lupa e Faap mapeia vídeos virais de IA na política brasileira

13/08/2026
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Um levantamento realizado pela Agência Lupa em parceria com a Faap identificou 40 vídeos gerados por inteligência artificial com conteúdo político que viralizaram no Brasil entre fevereiro e junho de 2025. O número representa uma média de aproximadamente dois vídeos por semana, indicando a cadência acelerada com que conteúdos sintéticos passaram a circular no debate público nacional. A Agência Lupa é uma organização brasileira especializada em verificação de fatos, e a Faap é uma instituição de ensino superior sediada em São Paulo.

O estudo revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a figura política mais retratada nos vídeos virais de inteligência artificial, o que reflete a centralidade do chefe do Executivo no cenário político contemporâneo e a atenção que figuras de maior projeção recebem de criadores de conteúdo sintético. O levantamento abrangeu o período de cinco meses e captou diferentes formatos de manipulação, desde deepfakes que alteram a fala de políticos até imagens totalmente geradas artificialmente.

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A disseminação desses vídeos ocorre em um momento de popularização acelerada de ferramentas de IA generativa, que permitem criar conteúdo audiovisual realista com baixo custo técnico e em questão de minutos. Deepfakes são vídeos ou áudios manipulados por inteligência artificial que fazem com que pessoas aparentem dizer ou fazer coisas que nunca ocorreram. A tecnologia por trás dessas criações evoluiu rapidamente nos últimos anos, reduzindo drasticamente a barreira de entrada para a produção de material enganoso.

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A média de dois vídeos virais por semana registrada pelo estudo sinaliza que a produção de conteúdo sintético político deixou de ser um fenômeno esporádico no Brasil. O ritmo constante sugere que existem criadores dedicados ou motivados a usar a tecnologia de forma sistemática, com potencial de alcançar grandes audiências por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.

O levantamento da Agência Lupa e da Faap se soma a uma série de iniciativas de monitoramento que ganharam força nas eleições brasileiras recentes. Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral criou um programa de combate à desinformação e estabeleceu regras para identificar e remover conteúdos falsos durante o período eleitoral. A constatação de que vídeos de IA continuam a viralizar em ritmo semanal reforça o desafio enfrentado por instituições de fiscalização e verificação.

Os 40 vídeos identificados no estudo representam apenas a parcela que conseguiu viralizar, ou seja, alcançar grande repercussão e circulação. O volume total de conteúdo sintético político produzido no período é provavelmente muito maior, considerando que muitos vídeos não atingem o patamar de viralidade mas ainda assim podem influenciar audiências segmentadas ou nichos específicos de usuários.

A presença majoritária de Lula nos vídeos mapeados está em consonância com o papel do presidente como figura central da disputa política nacional. Figuras no exercício do poder tendem a atrair maior atenção tanto de apoiadores quanto de críticos, o que se traduz em mais material gerado artificialmente com sua imagem ou voz. O estudo não detalhou se a maioria dos vídeos tinha caráter positivo, negativo ou satírico, mas o padrão observado em levantamentos semelhantes indica que o conteúdo sintético costuma ser usado para descreditar adversários ou ridicularizar figuras públicas.

O período de fevereiro a junho de 2025 cobre meses de intensa atividade política no Brasil, com debates sobre políticas econômicas, reformas e tensões entre os três poderes da República. Esse contexto de polarização cria um terreno fértil para a circulação de deepfakes e outros formatos de manipulação, que encontram audiências receptivas em diferentes polos ideológicos.

A identificação de aproximadamente dois vídeos virais por semana também coloca em perspectiva a capacidade das plataformas digitais de detectar e sinalizar conteúdo sintético. Redes sociais como Meta, dona do Facebook e do Instagram, e Google, responsável pelo YouTube, implementaram políticas de rotulagem de conteúdo gerado por IA, mas a eficácia dessas medidas permanece em debate. A velocidade com que um deepfake pode viralizar antes de ser identificado como falso é um dos pontos críticos apontados por especialistas.

O estudo da Agência Lupa e da Faap contribui para o entendimento de um fenômeno que tende a se intensificar nas próximas eleições no Brasil. A acessibilidade crescente de ferramentas de IA generativa, somada ao engajamento político via redes sociais, cria um cenário em que a verificação de fatos se torna cada vez mais demandada e, ao mesmo tempo, mais complexa.

A preocupação com o impacto da inteligência artificial no debate público não é exclusiva do Brasil. Em diferentes países, pesquisadores e autoridades têm documentado o uso crescente de deepfakes e conteúdo sintético em contextos eleitorais, o que levou organismos reguladores a discutir regras mais rigorosas para plataformas digitais e desenvolvedores de IA.

Os dados do levantamento indicam que o Brasil enfrenta um desafio estrutural de desinformação potencializada por tecnologia. Cada vídeo viral identificado representa não apenas um caso isolado de manipulação, mas parte de um fluxo contínuo de conteúdo sintético que circula no ambiente digital brasileiro em ritmo semanal, exigindo respostas institucionais, tecnológicas e educacionais coordenadas.

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