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Guerra dos Apps: Tim Sweeney acusa Apple de usar lobby político para retaliar o Brasil e travar concorrência

01/08/2026
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Tim Sweeney acusa Apple de usar lobby para prejudicar relação entre Brasil e Estados Unidos

O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, acusou publicamente a Apple de utilizar lobistas em Washington para minar as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos. As declarações foram feitas durante uma coletiva virtual com jornalistas brasileiros, no mesmo dia em que a Epic Games lançou sua própria loja virtual de aplicativos para iPhones no Brasil. Segundo Sweeney, o objetivo da fabricante do iPhone seria pressionar o governo norte-americano a retaliar contra o país após decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão antitruste brasileiro conhecido como Cade, que determinou a abertura do sistema operacional do iPhone para lojas de aplicativos de terceiros.

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A abertura do ecossistema da Apple foi resultado de um Termo de Compromisso de Cessação homologado pelo Cade em 23 de dezembro de 2025. Esse acordo encerrou um processo administrativo aberto em dezembro de 2022, a partir de uma denúncia do Mercado Livre por suposto abuso de posição dominante da Apple na distribuição de aplicativos para o sistema operacional iOS. Com base nessa decisão, a Epic Games conseguiu autorização para lançar sua loja oficial no Brasil, ampliando as opções de distribuição de aplicativos fora da App Store, a loja oficial da Apple.

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Sweeney afirmou que a Apple continua impondo uma série de empecilhos que ele classificou como ilegais para dificultar a concorrência justa. Entre as críticas, o executivo destacou a taxa de 21% cobrada pela Apple sobre transações realizadas fora de sua loja oficial, considerando o valor absurdo e injusto. Ele também ressaltou que a Epic enfrenta a Apple desde 2020, período em que obteve vitórias judiciais nos Estados Unidos e conquistou decisões semelhantes em blocos econômicos como a União Europeia e em países como o Japão. Para Sweeney, a empresa resiste à abertura do mercado para preservar sua capacidade de cobrar taxas que ele considera ilegais.

O executivo citou especificamente o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, órgão conhecido pela sigla USTR, responsável por orientar a política comercial norte-americana. Segundo Sweeney, esse órgão recomendou ao presidente Donald Trump a adoção de medidas tarifárias contra produtos brasileiros, incluindo justificativas relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento. O CEO da Epic afirmou que lobistas da Apple atuam junto a esse órgão para ameaçar parceiros internacionais e enfraquecer países que adotam medidas de defesa da concorrência contrárias aos interesses da fabricante. Sweeney declarou sentir profunda vergonha, como cidadão norte-americano, das ações da Apple por meio de suas conexões governamentais.

Em resposta às acusações, a Apple classificou as declarações de Sweeney e da Epic Games como falsas. A fabricante afirmou que continua trabalhando para apoiar desenvolvedores brasileiros e destacou o acordo firmado com o Cade para oferecer comissões reduzidas e permitir outras formas de pagamento e distribuição de aplicativos. A empresa também ressaltou que mantém diálogo com órgãos reguladores no Brasil para preservar salvaguardas importantes no ambiente digital, reafirmando seu compromisso com a colaboração tanto com desenvolvedores quanto com reguladores.

A disputa entre Apple e Epic Games é um dos capítulos mais relevantes no debate global sobre a abertura de ecossistemas digitais e a concorrência no mercado de aplicativos móveis. Enquanto Sweeney sustenta que a Apple utiliza seu poderio político e econômico para prejudicar países que adotam medidas antitruste, a fabricante do iPhone mantém que cumpre as exigências regulatórias e opera dentro da legalidade. O lançamento da loja da Epic para iPhones no Brasil representa um marco nesse cenário, mas as tensões entre as duas empresas seguem sem sinais de resolução próxima.

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