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Do Sucesso do dr.consulta à Revolução da IA: Como Thomaz Srougi está Transformando a Gestão de Clínicas com a Carecode

24/07/2026
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Thomaz Srougi troca o sucesso do dr.consulta por novo desafio com a Carecode

O empreendedor Thomaz Srougi, fundador da rede de clínicas dr.consulta — que hoje atende 6 milhões de pacientes e realiza cerca de 300 mil consultas por mês —, decidiu embarcar em um novo projeto após consolidar a empresa que criou. Sua nova empreitada é a Carecode, uma startup de tecnologia em saúde construída nativamente com inteligência artificial, focada em resolver um problema que ele observava há anos: clínicas perdendo pacientes por falta de estrutura adequada para gerenciar suas operações de atendimento. A empresa já atende 39 clínicas no Brasil e iniciou a expansão para o México, onde conquistou dois grandes clientes. A trajetória de Srougi é marcada por uma rotina intensa de trabalho, sem férias, e pela prática do ciclismo, incorporada há cerca de cinco anos durante a pandemia.

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A saída do dr.consulta fez parte de um processo de sucessão que já estava encaminhado na empresa. Srougi tinha um projeto para levar a operação para os Estados Unidos, mas o plano foi interrompido pela pandemia. Com a empresa em estágio avançado de maturidade, ele enxergou a oportunidade de atacar uma nova dor no setor da saúde: ajudar médicos a serem mais produtivos e destravar a capacidade de atender mais pacientes. Segundo ele, a experiência acumulada na construção de clínicas do zero e a observação das dificuldades recorrentes nessas operações foram os principais ativos levados para a nova empresa, que utiliza inteligência artificial para eliminar problemas ao longo da jornada do paciente nas clínicas.

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A Carecode começou como um experimento científico, assim como o dr.consulta em sua origem. A primeira tentativa de produto não obteve sucesso e o time inicial foi desmontado. Em setembro de 2025, uma nova equipe foi montada com outras competências. O primeiro produto testado era voltado para a navegação de beneficiários de planos de saúde dentro da rede credenciada, mas nunca esteve alinhado com o foco de Srougi, que sempre priorizou clínicas e pacientes. A virada aconteceu quando ele percebeu que precisava ajudar os médicos a parar de perder pacientes. Nas clínicas, cerca de 40% das ligações ficam sem resposta, e sem um sistema de confirmação de consultas, quatro em cada dez pacientes não comparecem aos agendamentos. Quando a clínica mantém um bom relacionamento e facilita o acesso ao atendimento, a recorrência aumenta em 50%.

Após a reformulação, a Carecode iniciou as operações com cinco clínicas e obteve resultados expressivos. A receita dessas clínicas aumentou, e o índice de resolutividade do agente de inteligência artificial — ou seja, a taxa de conversas resolvidas sem necessidade de intervenção humana — ficou entre 80% e 85%. A partir daí, a operação foi expandida para 30 clínicas e, posteriormente, o modelo foi testado fora do Brasil, no México, seguindo a mesma estratégia de expansão. O atendimento da empresa abrange clínicas de todos os portes e costuma começar pela gestão de agendamentos, incluindo cancelamentos, remarcações e esclarecimento de dúvidas. Em seguida, avança para a gestão das consultas e exames já marcados, com foco na redução de faltas, e na etapa final trabalha a recorrência dos pacientes para que retornem no momento adequado.

Srougi aponta três diferenciais competitivos da Carecode em relação às demais plataformas do mercado. O primeiro é o fato de a empresa ser construída nativamente com inteligência artificial, diferente de concorrentes que utilizam arquitetura de sistemas antigos, o que dificulta a adaptação a novas tecnologias. O segundo é a atuação exclusiva no setor da saúde, o que torna o produto mais profundo e especializado. O terceiro é a qualidade do time, formado por profissionais brasileiros que estudaram em instituições de destaque nos Estados Unidos, como a Universidade de Chicago e o Georgia Tech. A média de idade da equipe é de 25 anos, e Srougi soma dez anos de experiência no setor de saúde, tendo vivido as mesmas dificuldades enfrentadas por médicos e investidores de clínicas. O grupo de investidores da empresa inclui nomes como Andreessen Horowitz, QED, Endeavor Catalyst e David Vélez, fundador do Nubank.

Sobre a adoção de tecnologia no setor de saúde, Srougi destaca que as clínicas enfrentam sistemas ultrapassados que não resolvem os problemas de atendimento. Ele faz uma distinção importante entre chatbots convencionais e a inteligência artificial conversacional utilizada pela Carecode. Enquanto um chatbot tradicional pelo WhatsApp resolve cerca de 10% das conversas de forma autônoma, a inteligência artificial conversacional alcança entre 80% e 85% de resolutividade. A diferença está na capacidade de raciocínio: o chatbot não conversa nem pensa, enquanto a tecnologia conversacional possui uma lógica bidirecional que pode derivar para qualquer situação, adaptando-se ao contexto da conversa.

No início, a Carecode enfrentou desconfiança por parte das clínicas em relação à segurança da tecnologia, especialmente quanto ao tratamento dos dados dos pacientes. Srougi explica que foi necessário esclarecer como as informações são ou não armazenadas. Assim que as clínicas implementam a solução, porém, costumam solicitar a expansão para outras áreas, como agendamento de exames e gestão de faltas. Para o próximo ano, a empresa pretende continuar crescendo no Brasil e no México, embora as projeções de expansão ainda não tenham sido fechadas. A escolha do mercado mexicano se deu pela identificação de semelhanças com o Brasil nas demandas de clínicas e médicos, além da proximidade linguística na América Latina, que facilita a operação. Os resultados iniciais no país foram considerados muito positivos.

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