Nubank anuncia compra do Banco Porto Real para obter licença bancária e se adequar às novas regras do Banco Central
O Nubank fechou um acordo para a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos S/A, instituição fundada em 1992 na cidade de Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, que atua na concessão de crédito a clientes de atacado. O valor da operação não foi divulgado pela empresa, e a conclusão do negócio ainda depende de aprovação do Banco Central. Com essa aquisição, o Nubank incorporará a licença bancária já detida pela instituição carioca, ampliando assim o conjunto de autorizações regulatórias que possui para operar no mercado financeiro brasileiro.
Segundo David Vélez, fundador e diretor-presidente global do Nubank, o Brasil segue sendo o principal foco da empresa, mesmo após treze anos de atuação no país. Em comunicado, Vélez destacou que o mercado brasileiro ainda permite uma expansão significativa da participação da fintech e que a transformação do setor financeiro continuará sendo uma prioridade. A aquisição do Banco Porto Real representa mais um passo nessa direção, fortalecendo a posição regulatória da empresa sem alterar seu modelo operacional.
A operação permite que o Nubank atenda aos requisitos da Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central em conjunto com o Conselho Monetário Nacional, que regulamenta a nomenclatura e a forma de apresentação ao público das instituições financeiras. Essa norma foi publicada em novembro do ano passado e proibiu instituições sem licença bancária de utilizar a denominação "banco" em seu nome. A decisão do regulador levou o Nubank a anunciar, poucos dias depois, que buscaria sua própria licença bancária até 2026.
Com a incorporação da licença do Banco Porto Real, o Nubank passará a contar com quatro autorizações regulatórias em sua estrutura, ligada à empresa Nu Pagamentos S.A. Além da nova licença bancária, a fintech já possui as autorizações de Instituição de Pagamento, que permite processar transações eletrônicas; de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como financeira; e de Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, voltada à intermediação de investimentos. Segundo a empresa, a incorporação da nova licença não gera exigências adicionais de capital ou liquidez, preservando a solidez financeira do grupo.
O caminho escolhido pelo Nubank para obter a licença bancária foi a aquisição de uma instituição que já possui essa autorização, alternativa geralmente mais rápida do que solicitar uma licença nova diretamente ao Banco Central, processo que exige uma longa trajetória de aprovação regulatória. Todas as obrigações assumidas pelo Banco Porto Real serão cumpridas conforme os termos previstos no acordo de aquisição, segundo informou a empresa.
A aquisição também não altera a experiência dos 115 milhões de clientes do Nubank no Brasil. O aplicativo, os produtos, os serviços, a marca e o nome permanecem os mesmos. Livia Chanes, responsável pela operação do Nubank no Brasil e na América Latina, afirmou que o compromisso da empresa com a inovação permanece intacto e que a organização seguirá investindo na relação com os clientes, oferecendo soluções com a mesma simplicidade que sempre caracterizou a fintech.
Quando anunciou a busca pela licença bancária, no fim do ano passado, o Nubank já havia esclarecido que obter essa autorização não significa se transformar em um banco tradicional nos moldes de instituições como Itaú e Bradesco. A nova licença se soma às demais sem obrigar a empresa a se enquadrar operacionalmente como banco em todas as suas frentes de negócio. A aquisição do Banco Porto Real, portanto, concretiza um movimento planejado desde o final de 2024 para cumprir as novas exigências do regulador e ampliar o leque de autorizações do grupo, mantendo intacto seu modelo de atuação e a forma como atende seus clientes.