Engenheiros reduzem potentes sistemas de terahertz a um único chip semicondutor
Pesquisadores da Escola de Engenharia Samueli, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), conseguiram integrar funções de geração e detecção de sinais de terahertz em um único chip semicondutor, compatível com as tecnologias fotônicas modernas. O avanço, publicado na revista científica Nature Communications, representa um passo importante para transformar sistemas de terahertz que até então ocupavam espaço de laboratório em componentes compactos e passíveis de produção em larga escala.
As ondas de terahertz ocupam uma faixa ainda pouco explorada do espectro eletromagnético, situada entre a luz infravermelha e as micro-ondas. Os pesquisadores reconhecem há tempos o potencial dessas frequências para aplicações como comunicação sem fio ultrarrápida, rastreamento de segurança, sensoriamento remoto e imageamento médico. Apesar disso, a utilização prática dessas ondas tem esbarrado nas limitações dos equipamentos eletrônicos convencionais, que não conseguem operar com a mesma eficiência nessa faixa do espectro.
Diante desse desafio, os sistemas de terahertz baseados em fotônica surgiram como uma alternativa promissora. Essa abordagem utiliza a luz em alta velocidade para gerar e processar os sinais de terahertz, oferecendo vantagens significativas em largura de banda e eficiência energética quando comparada às tecnologias eletrônicas tradicionais. À medida que as tecnologias avançam em direção a frequências de operação e taxas de dados cada vez mais altas, essas características se tornam cada vez mais relevantes.
O trabalho da equipe da UCLA consistiu em adaptar os processos de geração e detecção de terahertz para que fossem compatíveis com os circuitos fotônicos integrados. Esses circuitos são estruturas que combinam múltiplos componentes ópticos em uma única plataforma, de forma análoga ao que ocorre com os circuitos eletrônicos integrados. A adaptação abre caminho para que sistemas antes restritos a ambientes de pesquisa possam ser miniaturizados e fabricados em massa.
Os pesquisadores destacam que a integração dessas funções em um único chip, utilizando plataformas de fabricação padronizadas pela indústria, é o que torna o avanço especialmente significativo. Da mesma forma que os circuitos integrados eletrônicos transformaram computadores do tamanho de geladeiras em microprocessadores modernos, a miniaturização dos sistemas de terahertz pode levar a uma adoção generalizada dessa tecnologia em aplicações reais.
Com essa demonstração, o estudo estabelece uma rota concreta para o desenvolvimento de sistemas de terahertz compactos e escaláveis, voltados a aplicações de comunicação de nova geração, imageamento e sensoriamento. A possibilidade de fabricar esses chips com processos já consolidados pela indústria elimina barreiras que até agora limitavam o uso prático da tecnologia, colocando o terahertz mais perto de aplicações comerciais em larga escala.