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Brasil entra no jogo da IA: Nova organização liderada pela China desafia hegemonia dos EUA e da UE

17/07/2026
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Brasil integra organização global de inteligência artificial liderada pela China com ausência de Estados Unidos e União Europeia

O Brasil participou da criação de uma nova organização internacional dedicada à inteligência artificial, batizada de Waico — Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial. A iniciativa foi lançada pela China durante a Waic (Conferência Mundial de Inteligência Artificial), realizada em Xangai entre os dias 17 e 20 de julho. O movimento marca uma tentativa de Pequim de ocupar o centro das discussões sobre governança global da tecnologia e se consolidar como alternativa à liderança tradicionalmente exercida pelos Estados Unidos no setor.

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A organização tem como propósito preencher uma lacuna importante no cenário internacional: tornar-se o principal fórum de governança mundial de inteligência artificial. A Waico foi desenhada para ser mais aberta aos países que ficaram de fora da primeira onda de desenvolvimento da tecnologia, posicionando-se simultaneamente como uma plataforma de inclusão para nações do Sul Global e como palco central dos debates sobre o futuro da área. Estados Unidos e União Europeia não integraram o grupo desde a sua formação.

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A participação brasileira contou com a atuação de três pastas governamentais: o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A presença do país no lançamento da organização insere-se no contexto do acompanhamento dos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial e da participação em mecanismos multilaterais de cooperação tecnológica, segundo informações sobre a iniciativa.

O presidente chinês, Xi Jinping, aproveitou o evento para apresentar Pequim como defensora de uma nova ordem global para a inteligência artificial. Ele utilizou a conferência para promover modelos de código aberto — aqueles cujo código-fonte é disponibilizado publicamente para uso, modificação e distribuição — classificando-os como um bem público global. A estratégia chinesa visa compartilhar tecnologia e conhecimento com os países do Sul Global e, ao mesmo tempo, liderar a criação de padrões internacionais para regular o desenvolvimento da área.

Em seu pronunciamento, Xi comparou a inteligência artificial a invenções transformadoras como a máquina a vapor e a eletricidade, reforçando a dimensão histórica da tecnologia. A comparação serviu para sustentar o argumento de que a IA deve ser tratada como uma infraestrutura essencial acessível a todas as nações, e não como um privilégio restrito aos países que já dominam o setor. A postura chinesa representa um desafio direto à influência americana sobre as regras que regem o ecossistema tecnológico mundial.

A criação da Waico evidencia que a disputa pela inteligência artificial deixou de se restringir ao desenvolvimento de modelos e sistemas. O embate agora acontece também no campo institucional, na definição de quais organismos e países terão poder para estabelecer as normas, os padrões e as diretrizes que orientarão o uso da tecnologia no planeta. Com a ausência de Estados Unidos e União Europeia, a organização liderada pela China surge como um polo alternativo de governança, enquanto o Brasil busca um papel ativo nessa nova configuração global.

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