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Nubank consolida hegemonia financeira: bancos digitais superam tradicionais na principalidade dos brasileiros

23/06/2026
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Bancos digitais ultrapassam tradicionais na disputa pela principalidade financeira dos brasileiros

Um levantamento da consultoria Okiar revelou que os bancos digitais estão ganhando terreno de forma acelerada na disputa pela chamada principalidade, conceito que define qual instituição financeira concentra a maior parte dos serviços utilizados pelos clientes em movimentações, crédito, investimentos e pagamentos. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as instituições digitais já superam ou empatam com os bancos tradicionais nesse indicador, sinalizando uma mudança estrutural profunda na relação dos brasileiros com o sistema financeiro.

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No Norte do país, os bancos digitais já detêm 53% da principalidade, contra 47% das instituições tradicionais. No Nordeste e no Centro-Oeste, a disputa está empatada tecnicamente, com 50% para cada modelo. Embora as regiões Sul e Sudeste ainda apresentem predominância dos bancos tradicionais, a distância entre os dois grupos vem encolhendo em ritmo acelerado. O estudo da Okiar dividiu a análise em duas ondas e identificou que, no Sudeste, a principalidade dos bancos tradicionais caiu de 63% para 55%. No Sul, o recuo foi ainda mais expressivo, passando de 62% para 52%.

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No ranking geral de principalidade, o Nubank ampliou sua liderança e consolidou a posição como principal instituição financeira dos brasileiros. A fintech evoluíu de 21,7% no primeiro ciclo de medição para 24,4% no segundo, reforçando o domínio que já exercia. O estudo aponta ainda que o Nubank lidera em todas as classes sociais, da mais alta (classe A) até a mais baixa (classes D e E), o que evidencia a capacidade dos bancos digitais de disputar espaço em segmentos historicamente dominados pelos grandes bancos tradicionais.

Além da liderança em principalidade, o Nubank também aparece no topo da lembrança espontânea dos consumidores. Quando questionados sobre instituições financeiras, os brasileiros citam a fintech com maior frequência, superando marcas tradicionais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco. A pesquisa reforça uma correlação direta entre a ocupação do espaço na memória dos consumidores e o uso efetivo dos serviços, indicando que quanto mais presente a marca está na mente do cliente, maior tende a ser a concentração de sua vida financeira naquela instituição.

O segundo lugar em principalidade ficou com o Itaú, que registrou 12,7%, seguido pela Caixa Econômica Federal, com 11%. A plataforma Mercado Pago apareceu na quarta posição, com 10%, e o Banco do Brasil completou o grupo das cinco primeiras colocações, com 7,8%. O Bradesco, por sua vez, foi a instituição que apresentou o maior recuo entre os dois ciclos do estudo, com a principalidade caindo de 12% para 7,4%, um movimento que reflete o desafio enfrentado pelos bancos tradicionais para reter a posição de banco principal de seus clientes.

Rafael Delgado, diretor da Okiar, avaliou que os dados sugerem uma redefinição dos fatores que determinam qual banco ocupa a posição principal na vida financeira dos clientes. Segundo ele, a principalidade continua existindo, mas os elementos que a definem mudaram significativamente, deixando de estar associados à permanência histórica das instituições e passando a depender mais da dinâmica competitiva do mercado. Em nota, Delgado destacou que as mudanças observadas apontam para um cenário em que a tradição perde peso diante da agilidade e da proposta de valor oferecida pelos modelos digitais.

Os números gerais da pesquisa evidenciam a dimensão da transformação em curso. Entre os dois ciculos analisados, a participação dos bancos digitais na principalidade saltou de 40% para 46%, enquanto os bancos tradicionais recuaram de 58% para 52%. O avanço das instituições digitais é particularmente forte entre empreendedores, donos de negócios e profissionais liberais, segmento no qual 56% indicam um banco digital como sua instituição principal. Entre trabalhadores com vínculo formal, porém, os bancos tradicionais ainda mantêm vantagem, com 60% de preferência.

Os dados do estudo da Okiar demonstram que a disputa pela principalidade está longe de se estabilizar. Com os bancos digitais ampliando presença em todas as regiões e classes sociais, e com a vantagem dos bancos tradicionais encolhendo de forma consistente, o cenário aponta para uma reconfiguração profunda do sistema financeiro brasileiro, no qual a proximidade digital e a capacidade de oferecer serviços integrados se tornam fatores cada vez mais decisivos para conquistar e manter a posição de banco principal dos consumidores.

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