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Anthropic e OpenAI disputam liderança trilionária no mercado de IA

13/06/2026
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A corrida pela liderança do mercado de inteligência artificial entrou em uma nova fase com a decisão de Anthropic e OpenAI de abrir capital na bolsa de valores dos Estados Unidos. As duas empresas, criadoras dos assistentes Claude e ChatGPT respectivamente, disputam não apenas hegemonia tecnológica, mas também o acesso a volumes recordes de recursos financeiros necessários para sustentar o avanço de suas plataformas.

A Anthropic deu o primeiro passo ao apresentar documentos à SEC, a autoridade reguladora dos mercados americanos, para realizar a oferta pública inicial de ações, conhecida pela sigla IPO. A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos GPT, anunciou sua intenção de estreia em Wall Street apenas uma semana depois, submetendo a documentação correspondente. O cronograma coloca a empresa de Dario Amodei à frente da de Sam Altman nesse capítulo específico da disputa.

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O momento é considerado propício. As bolsas operam em alta e o setor de inteligência artificial vive um período de intensa valorização. A Anthropic, empresa criadora do Claude, é avaliada atualmente em 965 bilhões de dólares, enquanto a OpenAI chega a 852 bilhões. Uma oferta pública bem-sucedida pode elevar ambas ao seleto grupo de empresas com valor de mercado superior a um trilhão de dólares, patamar hoje ocupado apenas por nomes como NVIDIA, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla.

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A magnitude desses números fica mais evidente em comparação. A Siemens, maior empresa da Alemanha, vale aproximadamente 230 bilhões de dólares, menos de um quarto da avaliação da Anthropic. A consultoria Gartner projeta que os gastos globais com inteligência artificial ultrapassarão 2,5 trilhões de dólares ainda neste ano, com a maior parte dos investimentos concentrada na construção e no aluguel de grandes centros de processamento de dados, fundamentais para fornecer a capacidade computacional exigida pelos modelos de linguagem.

Até agora, Anthropic e OpenAI captaram recursos por meio de rodadas de investimento privado. Segundo o analista Harrison Rolfes, da plataforma de dados PitchBook, a OpenAI arrecadou 185,9 bilhões de dólares desde sua fundação, enquanto a Anthropic captou 126,8 bilhões. A diferença, no entanto, não se traduz em vantagem comercial: a empresa de Dario Amodei apresenta números de faturamento superiores.

A Anthropic deve faturar cerca de 47 bilhões de dólares neste ano, ante 30 bilhões projetados para a OpenAI, mesmo tendo captado menos recursos em rodadas privadas. Rolfes atribui esse desempenho à estratégia de foco no mercado corporativo. Mais de mil empresas já gastam acima de um milhão de dólares por ano com a Anthropic, um indicador de adoção relevante entre grandes clientes.

A OpenAI, por sua vez, domina o segmento de consumo individual com o ChatGPT, assistente de inteligência artificial baseado nos modelos GPT, que ultrapassou a marca de 900 milhões de usuários semanais. A maioria, contudo, utiliza o serviço gratuitamente, o que representa um obstáculo para a monetização. Rolfes ressalta que converter uma base tão ampla de usuários sem pagamento em receita significativa é um desafio considerável.

Pedro Domingos, professor emérito de ciência da computação da Universidade de Washington, compartilha dessa leitura. Segundo ele, a Anthropic está mais adiantada nos serviços para empresas, segmento de onde deverá provir a maior parte da receita no setor. Domingos acrescenta, porém, que a empresa enfrenta mais demanda do que capacidade computacional disponível para atendê-la, uma restrição que pode limitar seu crescimento no curto prazo.

A rivalidade entre os dois chefes executivos tem raízes pessoais. Em 2021, Dario Amodei deixou a OpenAI por discordar da direção adotada sob a liderança de Sam Altman, considerada excessivamente voltada a resultados financeiros e insuficiente em compromissos com responsabilidade. Desde então, a Anthropic se posiciona publicamente como defensora de uma inteligência artificial mais segura e regulada.

Essa postura tem implicações práticas. Amodei estabeleceu limites para o uso militar do Claude, proibindo sua aplicação em sistemas de vigilância em massa e armamentos automatizados. Como consequência, o Pentágono classificou a Anthropic como risco de segurança na cadeia de fornecimento, uma medida extrema, normalmente reservada a empresas estrangeiras consideradas ameaças.

A OpenAI, em contrapartida, planeja fornecer software ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, ocupando o espaço deixado pela concorrente. A postura representa uma guinada significativa para uma empresa fundada em 2015 com a missão declarada de desenvolver inteligência artificial de forma ética e responsável. Especialistas do setor apontam a ironia da trajetória: a OpenAI, originalmente vista como referência em segurança, passa a ser percebida por parte do mercado como a parte menos cautelosa da disputa.

Domingos alerta que a imagem da Anthropic como empresa comprometida com princípios pode ser igualmente frágil. O crescimento acelerado e a pressão por resultados após a abertura de capital tendem a impor decisões difíceis, capazes de gerar frustração entre funcionários. O próprio Amodei e seus sócios trilharam esse caminho ao deixar a OpenAI por divergências éticas, e a história pode se repetir na Anthropic.

O objetivo de longo prazo de ambas as empresas é desenvolver a chamada Inteligência Artificial Geral, frequentemente referenciada pela sigla AGI, capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva humana. Domingos avalia que quem alcançar esse marco primeiro terá uma vantagem praticamente intransponível sobre os concorrentes. Rolfes, no entanto, relativiza essa tese e sustenta que chegar primeiro não garante vitória.

Para o analista, o sucesso depende de adoção ampla, confiança dos clientes corporativos e margens de lucro saudáveis. A disputa, em última instância, será decidida por qual tecnologia as maiores empresas do mundo escolherão adotar como padrão. A corrida pela liderança na inteligência artificial, portanto, ainda está longe de terminar.

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