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OpenAI pede IPO confidencial nos EUA e mira avaliação de US$ 1 trilhão

09/06/2026
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A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e pelos modelos de linguagem GPT, protocolou confidencialmente nesta segunda-feira (8) um pedido de oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos. O movimento coloca a companhia em disputa direta com a Anthropic — criadora do Claude — pelo mercado de capitais e pode resultar em uma das maiores aberturas de capital da história da tecnologia. Segundo a Reuters, a OpenAI almeja uma avaliação de até US$ 1 trilhão na estreia na bolsa, com o lançamento das ações podendo ocorrer já em setembro.

A decisão marca um ponto de inflexão para o setor de inteligência artificial, que em poucos anos passou de nicho de pesquisa a protagonista dos mercados financeiros globais. A OpenAI não divulgou oficialmente o tamanho ou os termos da oferta, mas o pedido confidencial à Securities and Exchange Commission, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, é o primeiro passo formal para a listagem em bolsa.

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Esse pedido se soma ao da Anthropic, que também busca abertura de capital, e ao da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, que protocolou seu próprio IPO com o objetivo de levantar US$ 75 bilhões e atingir avaliação de US$ 1,75 trilhão. Se confirmadas, as três operações formariam um trio de empresas avaliadas acima de US$ 1 trilhão estreando em um curto intervalo de tempo, configurando o que analistas veem como o teste mais relevante do apetite investidor por ações de tecnologia de alto crescimento na última década.

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Em mercados de previsão, onde participantes apostam no resultado de eventos futuros, a maioria dos investidores esperava que a OpenAI apresentasse seu pedido de IPO antes da Anthropic. A ordem acabou invertida, mas a coincidência dos dois processos reforça a competição acirrada entre as duas empresas, que disputam liderança no segmento de modelos de linguagem e assistentes de inteligência artificial.

A trajetória da OpenAI até este momento foi impulsionada por rodadas de investimento expressivas. No início de 2026, a companhia anunciou uma captação de US$ 110 bilhões com avaliação de US$ 840 bilhões, respaldada por um grupo de investidores que inclui SoftBank, Amazon e NVIDIA — fabricante de processadores amplamente utilizados em cargas de trabalho de inteligência artificial.

A relação com a Microsoft foi determinante para o crescimento da empresa. Desde 2019, a fabricante do Windows investiu US$ 13 bilhões na OpenAI, parceria que não apenas financiou o desenvolvimento dos modelos GPT como também impulsionou o avanço do Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft. Recentemente, no entanto, a OpenAI renegociou os termos dessa aliança, o que lhe permitiu firmar novos acordos com a Amazon e com a divisão Google da Alphabet.

Os números operacionais da OpenAI reforçam a dimensão do interesse do mercado. Em março, a empresa comunicou que gerava US$ 2 bilhões em receita mensal, um salto significativo em relação aos cerca de US$ 1 bilhão em receita trimestral registrados ao final de 2024. O ritmo de crescimento foi descrito como aproximadamente quatro vezes superior ao de empresas que definiram a era da internet e dos dispositivos móveis, como Alphabet e Meta.

O ChatGPT, produto principal da OpenAI, consolidou-se como o assistente de inteligência artificial mais utilizado do mundo. A empresa informou que a ferramenta conta com mais de 900 milhões de usuários ativos semanais e mais de 50 milhões de assinantes pagos. Essa base de usuários coloca o ChatGPT em patamar comparável ao de grandes plataformas de consumo digital, o que deve pesar na percepção de valor por parte dos investidores na oferta pública.

A simultaneidade dos pedidos de IPO da OpenAI e da Anthropic cristaliza a consolidação da inteligência artificial como tema central de investimento nesta década. Enquanto a OpenAI aposta na escala massiva do ChatGPT e em parcerias com múltiplas gigantes de tecnologia, a Anthropic tem se posicionado com foco em segurança e alinhamento de modelos — abordagem que também atraiu volumes expressivos de capital.

O cenário macroeconômico, contudo, impõe desafios. O mercado de ofertas públicas iniciais enfrenta um período de volatilidade, com pressões como juros elevados nos Estados Unidos e tensões geopolíticas globais. A capacidade de as duas empresas de inteligência artificial sustentarem avaliações na casa dos centenares de bilhões de dependerá, em grande parte, da demonstração consistente de crescimento de receita e de caminhos claros rumo à lucratividade.

Para o ecossistema de tecnologia brasileiro e global, a listagem da OpenAI representará um marco de referência. Profissionais e empresas que utilizam os modelos GPT em produtos e serviços passarão a acompanhar os resultados trimestrais da companhia como indicador do ritmo de adoção e amadurecimento da inteligência artificial no mercado corporativo.

A expectativa agora se volta para a divulgação dos termos detalhados da oferta, que deverá incluir o número de ações, faixa de preço inicial e a bolsa em que os papéis serão negociados. Até setembro, quando o IPO pode ser concretizado, o mercado terá acesso ao prospecto definitivo com informações financeiras completas da empresa — documento que deverá ser analisado com atenção redobrada por investidores e concorrentes.

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