Motorista é banido da Lyft após usar inteligência artificial para criar fotos falsas de danos no carro
Um motorista da plataforma de transporte por aplicativo Lyft foi permanentemente banido do serviço depois que um passageiro descobriu que o condutor utilizou uma ferramenta de inteligência artificial para criar imagens fraudulentas de sujeira dentro do veículo. O caso aconteceu neste mês na Flórida, Estados Unidos, quando duas adolescentes de 14 e 15 anos foram acusadas falsamente de deixar o banco traseiro sujo após uma corrida de volta da praia.
O passageiro Bert Gor, pai das adolescentes, decidiu contestar a cobrança de US$ 75 (cerca de R$ 377) após as filhas negarem veementemente terem levado qualquer tipo de alimento ou bebida no carro. Gor buscou informações diretamente com o suporte da Lyft para entender os motivos da cobrança adicional. O motorista responsável pela corrida havia enviado supostas fotos do interior do veículo como evidência dos danos alegados.
As imagens apresentadas mostravam bebidas derramadas, batatas fritas espalhadas pelo estofado e manchas no banco traseiro do carro. Satisfeito com a suposta prova, o motorista cobrou a taxa extra dos passageiros. No entanto, foi uma das adolescentes que percebeu um detalhe crucial nas fotografias: a marca d'água do Gemini, ferramenta de inteligência artificial generativa do Google, aparecia no canto das imagens editadas.
Gor voltou a acionar o suporte da plataforma apresentando essa nova informação e questionando a autenticidade das provas. Após a família destacar a marca d'água para um representante da Lyft, a empresa reconheceu que as imagens haviam sido criadas com o uso de inteligência artificial. A companhia pediu desculpas, reembolsou o valor cobrado e bloqueou permanentemente o motorista do aplicativo.
Em nota à imprensa local, a Lyft afirmou que leva todas as disputas por danos a sério e analisa cada caso com base nas informações disponíveis. A empresa não especificou quais medidas adicionais pretende adotar para prevenir situações semelhantes no futuro. O caso levanta dúvidas sobre os mecanismos de verificação utilizados pela plataforma para validar acusações de danos feitas por motoristas.
O episódio também acende alertas sobre o uso de ferramentas de geração de imagem por pessoas mal-intencionadas em serviços sob demanda. Ao programa Good Morning America da rede americana ABC News, Bert Gor revelou que compartilhou sua experiência em um grupo no Facebook e recebeu comentários de diversas pessoas relatando situações parecidas envolvendo cobranças indevidas.
O portal Dexerto informa que no início de maio o aplicativo de entrega de comida DoorDash abriu uma investigação interna após um usuário publicar um vídeo no TikTok demonstrando como utilizava o ChatGPT para alterar imagens de refeições e obter reembolsos fraudulentos. O caso ilustra como a popularização de modelos de geração de imagem, vídeo e até voz por inteligência artificial cria novas oportunidades para golpes mais elaborados.
Após viver a experiência negativa, Gor alertou outros usuários a acompanharem de perto as cobranças realizadas após o término das corridas. "Se você não prestar atenção nisso e acabar sendo cobrado em US$ 75, isso realmente pode se acumular", afirmou o passageiro, reforçando a necessidade de vigilância constante por parte dos consumidores ao utilizar serviços de transporte por aplicativo.