Microsoft perde a onda da inteligência artificial, aponta ex-executivo da empresa
A Microsoft voltou a enfrentar críticas pesadas sobre sua estratégia em inteligência artificial, desta vez vindas de alguém que conhece a empresa por dentro. O ex-vice-presidente Mat Velloso afirmou publicamente que a companhia não está conseguindo se conectar com o público comum, comparando o momento atual a outros atrasos históricos da gigante de tecnologia.
O brasileiro trabalhou por mais de 12 anos na Microsoft antes de ocupar cargos de liderança no Google DeepMind, onde ajudou a desenvolver a interface de programação do Gemini, e posteriormente na Meta, como vice-presidente de Produto. Nas redes sociais, Velloso foi direto ao comentar o cenário atual da empresa, declarando que ela "perdeu a onda da internet, a onda mobile e agora perdeu a onda da inteligência artificial".
A crítica principal gira em torno da diferença de desempenho entre as ações das duas empresas. Velloso observou que, desde que deixou a Microsoft para ingressar no Google em janeiro de 2024, as ações da Microsoft permaneceram estáveis, enquanto os papéis do Google subiram significativamente. Para ele, esse dado revela uma avaliação de mercado que não pode ser ignorada.
O argumento central de Velloso é que a empresa insiste em repetir as mesmas estratégias esperando resultados diferentes. Essa avaliação foi feita em resposta a Frank Shaw, executivo responsável pelas comunicações da Microsoft, que havia classificado as críticas como uma moldura negativa sobre a empresa.
O problema central está na baixa adoção do Copilot, assistente de inteligência artificial integrado aos principais produtos da Microsoft. Segundo dados citados pelo ex-executivo, menos de 3% dos usuários que pagam pelos serviços utilizam a ferramenta de forma ativa, mesmo com ela pré-instalada na barra de tarefas do Windows 11 e disponível no pacote Office.
Os investimentos da empresa nesse setor são expressivos. De acordo com informações do portal Windows Latest, a Microsoft teria investido cerca de 37,5 bilhões de dólares trimestralmente em inteligência artificial, o que representa aproximadamente 189 bilhões de reais. Esse valor é considerado muito alto diante de uma taxa de adoção tão pequena.
Além disso, a empresa teria pressionado fabricantes de computadores pessoais a incluírem NPUs nos notebooks com Windows 11. As NPUs são processadores dedicados exclusivamente a tarefas de inteligência artificial, necessários para que os equipamentos recebam a certificação Copilot+, selo criado pela Microsoft para identificar dispositivos compatíveis com suas funcionalidades de IA.
Para Velloso, esse investimento não se justificou. Os fabricantes apostaram pesado em componentes específicos para inteligência artificial, mas descobriram que não existe um caso de uso realmente valioso que justifique essa infraestrutura no ecossistema Windows e Office.
A repercussão dessa estratégia aparece também nas mudanças de prioridades do Windows 11. Em vez de continuar insistindo apenas em novas integrações de inteligência artificial, a empresa estaria voltando sua atenção para corrigir problemas antigos da experiência do sistema. A postura ressoa entre os usuários, que passaram a chamar a empresa de "Microslop" devido à quantidade de funções de IA consideradas desnecessárias ou mal implementadas.
Um exemplo dessa mudança de direção veio da nova CEO da divisão Xbox, Asha Sharma, que se posicionou contra o que ela chamou de "lixo de inteligência artificial" logo ao assumir o cargo. O episódio ilustra uma tendência dentro da própria empresa de reconhecer que a ênfase excessiva em IA pode estar afastando os usuários em vez de atraí-los.