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Gemini Intelligence do Google antecipa o que a Apple pretende para a nova Siri

18/05/2026
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Durante o Android Show realizado em 12 de maio, o Google apresentou uma nova geração de funcionalidades alimentadas pelo Gemini, seu ecossistema de inteligência artificial. A demonstração, voltada ao sistema Android, acabou revelando com bastante clareza o que se pode esperar da futura geração da Siri, assistente virtual da Apple que deve ser reformulada com o uso de modelos do próprio Google. A apresentação funciona, na prática, como uma antevisão dos caminhos que a Apple deverá percorrer para tornar seu assistente competitivo no cenário de IA generativa.

A importância do evento vai além das novidades para o Android. A Apple já confirmou que utilizará modelos Gemini em sua estratégia de inteligência artificial, o que torna as funcionalidades demonstradas pelo Google um indicador concreto do que virá para os usuários de iPhone nos próximos meses. Para analistas do setor, a pressão sobre a Apple nunca foi tão grande: a empresa precisa entregar uma assistente moderna após anos de críticas sobre o atraso da Siri em relação aos concorrentes.

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Entre os destaques da apresentação do Google está o Rambler, nova tecnologia integrada ao Gboard, o teclado virtual do Android. O recurso emprega o modelo multilíngue do Gemini para transformar falas espontâneas e desorganizadas em textos claros e naturais. O usuário pode falar de forma livre, alternando entre idiomas, fazendo pausas ou usando frases incompletas, e a inteligência artificial reorganiza o conteúdo automaticamente, removendo vícios de linguagem, eliminando repetições e produzindo mensagens mais refinadas sem que seja necessária edição manual.

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O Google demonstrou situações em que a pessoa alternava entre inglês, espanhol e outros idiomas na mesma frase, e o Gemini compreendia perfeitamente o contexto. Essa capacidade representa um avanço significativo para a comunicação móvel e para a produtividade no dia a dia, especialmente em regiões como o Brasil, onde o uso simultâneo de mais de um idioma é comum.

Além da transformação de voz em texto, o Google revelou novos recursos de automação entre aplicativos. O Gemini passou a ser capaz de entender o conteúdo exibido na tela do dispositivo e agir de maneira contextual. Ao visualizar uma conversa sobre viagens, por exemplo, a IA pode sugerir hotéis, criar compromissos na agenda ou preencher informações em outros aplicativos sem que o usuário precise copiar dados manualmente de um lugar para outro.

Outro ponto relevante foi o preenchimento inteligente baseado em imagens e contexto visual. O Gemini consegue analisar fotos, capturas de tela e documentos para completar formulários, sugerir respostas e gerar ações automáticas, reduzindo a quantidade de etapas manuais em tarefas cotidianas.

A empresa também apresentou elementos generativos de interface, incluindo widgets personalizados para a tela inicial. Esses componentes utilizam informações pessoais do usuário para exibir lembretes, conteúdos relevantes e recomendações em tempo real, adaptando-se ao perfil e aos hábitos de cada pessoa.

Talvez o anúncio mais estratégico do evento tenha sido o conceito de Personal Intelligence. O recurso utiliza informações pessoais armazenadas nos serviços do Google, como Gmail, Agenda, Fotos e Maps, para oferecer respostas contextualizadas e úteis. O sistema consegue acessar dados de hábitos, compromissos, interesses e relações do usuário para responder perguntas específicas de forma precisa.

Essa abordagem representa exatamente a direção que a Apple deseja seguir com a nova geração da Siri. O site 9to5Mac destacou que o conceito apresentado pelo Google tem enorme semelhança com os recursos internos que a Apple prepara para integrar aos aplicativos Mail, Calendário, Fotos, Notas e Mensagens. A diferença, até o momento, é que o Google conseguiu demonstrar essas capacidades de forma mais concreta e funcional.

De acordo com informações divulgadas por Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple prepara a maior reformulação da Siri desde seu lançamento em 2011. A nova geração do assistente deve chegar junto com o iOS 27, previsto para ser apresentado durante a Worldwide Developers Conference 2026, em junho. A proposta é abandonar parcialmente o modelo tradicional de comandos rápidos e transformar a Siri em uma IA conversacional mais próxima do que usuários encontram hoje no Gemini e no ChatGPT, assistente de inteligência artificial da OpenAI.

Entre os recursos esperados está um sistema chamado Extensões, que permitiria que modelos de inteligência artificial de terceiros fossem conectados diretamente ao sistema operacional. Isso daria ao usuário a possibilidade de escolher diferentes modelos dependendo da tarefa desejada. Segundo os rumores, até mesmo a voz da Siri poderá mudar dependendo do modelo selecionado, o que marcaria uma mudança histórica para a Apple, que tradicionalmente controla toda a experiência de software de forma fechada.

A chegada da IA generativa alterou completamente a dinâmica do mercado de tecnologia. Empresas como Google, Microsoft e OpenAI avançaram rapidamente, enquanto a Apple foi criticada por sua lentidão no setor. A Siri, que já foi considerada inovadora ao ser lançada em 2011, ficou atrás diante da evolução dos modelos de linguagem modernos. Usuários frequentemente reclamam de respostas limitadas, pouca compreensão contextual e dificuldades na execução de tarefas mais complexas.

Internamente, a situação gerou preocupação. Relatórios indicam que a Apple reorganizou equipes, acelerou investimentos e passou a buscar parcerias estratégicas para recuperar terreno. A aproximação com o Google faz parte dessa estratégia. Segundo a Bloomberg, o acordo envolvendo o Gemini pode custar cerca de US$ 1 bilhão por ano para a Apple, o que reforça o tamanho da aposta da empresa em acelerar sua entrada na era da IA generativa.

Em abril, Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, afirmou que a Siri equipada com tecnologia Gemini começará a ser liberada até o final de 2026, de forma gradual. Essa abordagem indicativa sugere que a Apple deve adotar uma implementação cautelosa, priorizando questões de privacidade, confiabilidade e desempenho.

A próxima edição da WWDC pode se tornar um dos eventos mais importantes da história recente da Apple. Não apenas pelo lançamento de novos sistemas operacionais, mas por marcar a entrada definitiva da empresa na era da inteligência artificial generativa. A disputa entre iPhone e Android, que durante anos girou em torno de design, câmeras e desempenho de hardware, passa agora a ser dominada pela capacidade de entregar experiências inteligentes e integradas.

Em comunicado conjunto divulgado em janeiro, Apple e Google declararam que, após avaliação criteriosa, a tecnologia do Google oferece a base mais capaz para os chamados Apple Foundation Models. A frase evidencia uma mudança profunda no mercado: até mesmo a Apple reconhece que a próxima fase da competição tecnológica depende diretamente da inteligência artificial.

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