Rafaela Rezende, presidente da VTEX Brasil, afirmou que a implementação de inteligência artificial no setor de varejo deve priorizar a redução de custos ou o aumento de receita para ser considerada viável. A declaração ocorreu durante o São Paulo Innovation Week, evento voltado para tecnologia e inovação. A VTEX é uma plataforma de comércio eletrônico global que provê infraestrutura para grandes varejistas.
A executiva argumenta que o investimento em novas tecnologias precisa de justificativas financeiras concretas. O objetivo é evitar que a inteligência artificial seja adotada apenas por tendência, sem que haja um retorno mensurável para o negócio. Para Rezende, a tecnologia deve servir como motor de eficiência operacional.
O setor de varejo enfrenta o desafio de encontrar modelos de negócio sustentáveis para a venda de produtos utilizando assistentes de inteligência artificial. O ChatGPT, assistente da OpenAI, é citado como exemplo de ferramenta que ainda demanda a definição de processos claros de conversão de vendas. A integração dessas ferramentas ao fluxo comercial requer estratégia para não se tornar apenas um custo adicional.
Segundo a presidente da VTEX, o varejo corre riscos se mantiver os processos de operação tradicionais. A adaptação tecnológica não é mais opcional, mas uma necessidade para a sobrevivência das empresas no mercado competitivo. A manutenção de métodos obsoletos pode levar à perda de relevância perante o consumidor moderno.
A inteligência artificial deve deixar de ser tratada como um plano alternativo ou um experimento isolado dentro das empresas. A visão apresentada é que a tecnologia deve assumir o papel de orientadora das estratégias globais do setor. Isso implica que a tomada de decisão deve ser embasada por dados processados por modelos inteligentes.
A aplicação de IA no varejo pode atuar na personalização da experiência do cliente e na otimização da logística. Quando essas funcionalidades reduzem despesas operacionais, a tecnologia cumpre seu propósito financeiro. O foco deve estar na resolução de problemas reais que impactam a margem de lucro.
Rezende destaca que a busca por eficiência passa obrigatoriamente pela automação de tarefas repetitivas. Ao liberar a força de trabalho de atividades manuais, as empresas podem focar em estratégias de crescimento. O resultado direto é a melhoria do desempenho organizacional e a redução de falhas humanas.
A executiva enfatiza que a tecnologia por si só não resolve problemas de gestão. É necessária uma cultura organizacional que aceite a transformação digital para que a inteligência artificial seja efetiva. A governança de dados torna-se fundamental para que os modelos de aprendizado de máquina funcionem corretamente.
O uso de ferramentas de linguagem natural pode transformar a interação entre marca e consumidor. No entanto, a eficácia dessas ferramentas é medida pela capacidade de converter interações em transações financeiras. Sem essa conversão, a ferramenta torna-se um recurso de suporte, mas não um motor de receita.
O cenário atual exige que os gestores de varejo questionem a real utilidade de cada nova funcionalidade de IA implementada. A análise de custo-benefício deve ser rigorosa para evitar desperdícios de capital. A prioridade deve ser a escalabilidade do negócio por meio da tecnologia.
A VTEX busca auxiliar empresas a navegarem nesse processo de transição digital. A plataforma oferece a base necessária para que a inteligência artificial seja integrada de forma orgânica ao e-commerce. O objetivo é criar ecossistemas onde a tecnologia impulsione as vendas de maneira automatizada.
A visão de Rezende reflete a maturidade do mercado, que começa a migrar do entusiasmo tecnológico para a análise de ROI. O retorno sobre o investimento é a métrica principal para a continuidade de projetos de inovação. A sustentabilidade do negócio depende dessa abordagem pragmática.
Em resumo, a inteligência artificial no varejo deve ser encarada como uma ferramenta de gestão financeira e operacional. O sucesso da implementação depende da capacidade de transformar algoritmos em lucros reais. A tecnologia é o meio, enquanto o resultado financeiro é o objetivo final.
A convergência entre tecnologia e varejo deve resultar em processos mais ágeis e menos onerosos. As empresas que conseguirem alinhar a eficiência da IA com a estratégia de vendas terão vantagem competitiva. O futuro do setor depende dessa integração inteligente e orientada a resultados.