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Dor Sem Palavras: Inteligência Artificial Revoluciona Cuidado Neonatal

14/03/2026
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# Inteligência artificial auxilia na detecção de dor em recém-nascidos internados

Uma pesquisa recente desenvolvida por especialistas da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, em parceria com o Centro Universitário FEI e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a FAPESP, trouxe um avanço significativo para a medicina neonatal. O grupo criou uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar, com precisão, diferentes níveis de dor em bebês que estão sob cuidados em unidades de terapia intensiva. A tecnologia utiliza o processamento de imagens e linguagem para analisar as expressões faciais dos recém-nascidos, oferecendo um suporte técnico para mitigar a subjetividade inerente aos diagnósticos realizados nessas alas hospitalares.

A dor é um fenômeno de natureza subjetiva, e como os bebês ainda não possuem a capacidade de comunicação verbal, a avaliação clínica depende inteiramente da observação externa feita por médicos, enfermeiros e familiares. De acordo com a professora de pediatria neonatal e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital São Paulo, Ruth Guinsburg, a interpretação humana pode ser influenciada por diversos fatores, inclusive pelo estado emocional de quem realiza a observação. Esse cenário cria uma variação indesejada nas avaliações, o que reforça a necessidade de sistemas computacionais que ofereçam uma leitura mais consistente para auxiliar na tomada de decisões dos profissionais de saúde.

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A base tecnológica desse desenvolvimento reside em modelos avançados de inteligência artificial, que funcionam de maneira semelhante a sistemas como os grandes modelos de linguagem, ou LLMs, na sigla em inglês. Esses modelos são softwares treinados previamente em vastos conjuntos de dados para processar informações complexas sem que precisem passar por uma adaptação específica para cada paciente individual. O professor da FEI, Carlos Eduardo Thomaz, explica que a utilização de modelos multimodais, capazes de processar diferentes tipos de dados simultaneamente, como imagem e texto, permite que tarefas médicas sejam executadas com uma rapidez e eficiência superiores às técnicas tradicionais que eram utilizadas até então.

O impacto dessa inovação transcende o aspecto técnico, atingindo diretamente o bem-estar dos pacientes neonatais. Historicamente, a ciência médica chegou a acreditar que bebês não sentiriam dor devido a um estágio de desenvolvimento neurológico considerado imaturo. No entanto, o conhecimento atual é exatamente o oposto, reconhecendo que essa imaturidade torna o sistema nervoso dos recém-nascidos extremamente vulnerável aos efeitos negativos de estímulos dolorosos frequentes. O gerenciamento inadequado da dor pode resultar em sequelas prolongadas, tornando o diagnóstico preciso fundamental para a segurança e o desenvolvimento saudável do bebê.

A prática clínica enfrenta um desafio delicado que é equilibrar a administração de medicamentos analgésicos. Tanto a ausência de tratamento para dores reais quanto o uso excessivo de fármacos podem causar efeitos neurotóxicos em cérebros ainda em desenvolvimento. Com a implementação da inteligência artificial, os pesquisadores buscam otimizar esse equilíbrio, fornecendo dados objetivos que auxiliam a equipe médica a decidir o momento exato de intervir com medicação e, tão importante quanto, o momento ideal de suspender o uso desses fármacos assim que a necessidade deixa de existir.

Embora a tecnologia esteja em constante fase de aprimoramento, o trabalho já é considerado um marco na neonatologia. Os especialistas envolvidos no projeto enfatizam que o objetivo central da pesquisa continua sendo o aumento progressivo da precisão do sistema. Contudo, destacam que cada avanço, por menor que possa parecer em termos de funcionalidade algorítmica, carrega um significado profundo, pois reflete diretamente em melhorias reais no cuidado, na qualidade do tratamento e no conforto dos bebês internados nas unidades de terapia intensiva de todo o país.

RESUMO: Pesquisadores da Unifesp e da FEI desenvolveram uma inteligência artificial financiada pela FAPESP capaz de detectar níveis de dor em bebês internados em UTIs. A tecnologia analisa expressões faciais através de modelos multimodais, reduzindo a subjetividade das avaliações humanas tradicionais. O sistema, que dispensa adaptações específicas para cada caso, ajuda profissionais a equilibrar o uso de medicamentos, prevenindo efeitos neurotóxicos em recém-nascidos. O estudo corrige concepções históricas sobre a percepção de dor na infância, evidenciando a importância do diagnóstico preciso para evitar sequelas no desenvolvimento neurológico dos pacientes, e aponta para um futuro onde a precisão tecnológica transforma o padrão de atendimento neonatal com benefícios diretos ao bem-estar clínico.

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