Ultrapassada pela BYD na lista das montadoras que mais vendem carros em todo o mundo, a Ford está ajustando sua estratégia para reconquistar terreno no mercado global. O principal foco da empresa agora é a produção de carros elétricos mais acessíveis, seguindo o caminho que impulsionou o sucesso das marcas chinesas.
Em um comunicado divulgado nesta semana, a montadora americana revelou o que chama de "segredo" para viabilizar uma nova linha de veículos elétricos (EVs) com preços competitivos. A solução envolve reduzir o tamanho das baterias desses modelos, permitindo o lançamento de opções na faixa de até R$ 150 mil – valores alinhados aos praticados por concorrentes como GWM, Geely e BYD.
A estratégia se baseia no entendimento de que baterias menores diminuem os custos de produção, sem sacrificar a autonomia essencial para o uso diário em áreas urbanas. Apesar de ter registrado prejuízos bilionários com seus EVs nos últimos anos e ter sido superada pela BYD, a Ford não pretende abandonar a eletrificação. Em vez disso, a empresa opta por um "ajuste de abordagem", priorizando veículos populares em lugar de se concentrar apenas em opções premium.
O CEO Jim Farley destacou que a companhia planeja introduzir, já no próximo ano, modelos compactos e acessíveis. O cronograma inclui ainda uma picape elétrica de porte médio para 2027, com preço estimado em US$ 30 mil, equivalente a cerca de R$ 156 mil. Essa faixa de valores é vista como chave para enfrentar a concorrência chinesa e conquistar consumidores tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
No entanto, a Ford enfrenta o desafio de equilibrar custos e desempenho. Baterias de menor capacidade podem resultar em autonomia reduzida, o que demanda inovações em design e eficiência energética. Além disso, a marca precisará demonstrar aos compradores que esses EVs de entrada são confiáveis, com tecnologias adequadas para o dia a dia, evitando a percepção de limitações excessivas.