A Meta recebeu um alerta formal da União Europeia nesta segunda-feira (09) por bloquear a atuação de chatbots de empresas rivais dentro do WhatsApp. O bloco europeu ameaça obrigar a empresa a liberar o acesso para ferramentas de inteligência artificial (IA) concorrentes, sob o argumento de que a proibição pode prejudicar a concorrência no mercado.
A origem da disputa foi a política adotada pela Meta em 15 de janeiro de 2026, que passou a permitir exclusivamente o uso da sua própria IA, a Meta AI, no WhatsApp. Com essa medida, serviços de terceiros — como os oferecidos por empresas que criam chatbots avançados — foram impedidos de operar diretamente no aplicativo.
A Comissão Europeia reagiu enviando um aviso formal à Meta. Reguladores do bloco acreditam que a empresa estaria aproveitando o porte do WhatsApp para favorecer sua própria solução e reduzir as chances de rivais menores se desenvolverem. Para evitar danos à concorrência enquanto a questão é julgada, a UE também sinalizou que pode adotar medidas temporárias. Essas ações poderiam forçar a Meta a restaurar o funcionamento de IAs de terceiros no WhatsApp imediatamente, antes da conclusão do processo judicial.
No contraponto, a Meta defende que não há necessidade de intervenção. A empresa afirma que os usuários já têm acesso a IAs por outros canais — como lojas de aplicativos, sites e dispositivos diversos — e que o WhatsApp não seria o único caminho importante para que essas ferramentas cheguem ao público.
A chefe de antitruste da UE, Teresa Ribera, ressaltou a importância de preservar uma disputa justa nesse novo mercado de IA. O episódio ocorre em meio a um ambiente tenso, já que o governo dos Estados Unidos costuma criticar as regras mais rígidas que a Europa impõe às suas empresas de tecnologia.
O caso também é acompanhado por autoridades em outros países. Na Itália, foram discutidas medidas semelhantes em dezembro, e no Brasil o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga se a proibição configura abuso de poder para favorecer a Meta AI. Apesar dessa investigação, a Justiça brasileira autorizou temporariamente que a Meta mantenha a restrição no país; o processo, no entanto, segue em andamento para decidir se haverá punição ou arquivamento.
A Meta terá a oportunidade de se defender formalmente antes que quaisquer medidas temporárias sejam efetivamente aplicadas na União Europeia. A decisão final do bloco dependerá da resposta apresentada pela empresa.