O empresário Sérgio Nahas foi detido no fim de semana na Bahia depois de ser identificado por um sistema de reconhecimento facial. Mas como esse tipo de tecnologia opera na prática e que etapas levam a uma ação policial?
Do ponto de vista técnico, um sistema de reconhecimento facial segue basicamente estas etapas:
- Captura ou recepção da imagem: pode vir de uma câmera em tempo real (CFTV) ou de uma foto enviada a partir de um dispositivo.
- Detecção do rosto: o software localiza rostos na imagem, separando-os do fundo e de outros objetos.
- Normalização e extração de características: o rosto é ajustado (alinhar olhos, escala, ângulo) e transformado em um conjunto de números — um “vetor” ou assinatura biométrica — que representa traços únicos daquela face.
- Comparação com uma base de referência: essa assinatura é comparada com imagens armazenadas em um banco de dados (como arquivos policiais, bases oficiais ou listas de busca) e gera uma pontuação de similaridade.
- Gatilho de alerta e verificação humana: quando a pontuação supera um limiar predefinido, o sistema emite um alerta para operadores ou agentes, que costumam realizar checagens adicionais antes de tomar qualquer medida.
Na prática, o reconhecimento facial é usado como ferramenta de triagem e apoio à investigação. Um alerta automatizado não costuma ser a única prova usada para prender alguém: em operações policiais, usualmente há conferência por pessoas (confirmação por agente, consulta a documentos, checagem de contexto) e procedimentos próprios da corporação antes da detenção.
Limitações e riscos importantes
- Precisão variável: fatores como iluminação, ângulo do rosto, qualidade da imagem, uso de óculos, barba ou máscara e envelhecimento afetam a acurácia do sistema.
- Falsos positivos e negativos: sistemas podem errar — identificar erroneamente alguém ou deixar de reconhecer a pessoa correta — e esses erros têm consequências graves quando usados em segurança pública.
- Viés algorítmico: estudos e relatos mostram que alguns algoritmos têm desempenho desigual entre gêneros e etnias, o que aumenta o risco de injustiças.
- Privacidade e regulamentação: o uso da tecnologia levanta questões sobre proteção de dados, transparência das bases utilizadas e limites legais; esses pontos são objeto de debate público e jurídico.
Boas práticas operacionais recomendadas por especialistas envolvem manter o humano no loop (sempre validar eletronicamente gerado), definir limiares conservadores para alertas, auditar sistemas e bases de dados e garantir controle sobre quem tem acesso às informações.
No episódio envolvendo Sérgio Nahas, como reportado, o reconhecimento facial foi o elemento que levou à detenção. Isso ilustra como a tecnologia pode acelerar a localização de pessoas, mas também lembra a necessidade de procedimentos de verificação e de atenção às limitações e aos impactos sociais e legais desse tipo de solução.